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sexta-feira, 29 de abril de 2011

Narrativa Transmídia

A revolução da indústria do entretenimento em todas as mídias

Texto: Paulo Roberto Montanaro

Imagem: Bíblias Transmídia

Desde que me conheço por gente, sempre há um termo tecnológico na moda e citado aos quatro ventos. Veio o vídeo-cassete 4 cabeças, o CD, a internet, o ICQ, o DVD, o
Orkut, a TV Digital, a Banda Larga, o Twitter, dentre tantos outros. Também vieram a Multimídia que definia o fantástico CD-ROM e a Hipermídia com a internet e a navegação não-linear. Cada qual destes inventos ou apetrechos hi-tec causaram muitas transformações no cotidiano, inicialmente de poucas pessoas e depois foramse alastrando e se popularizando até o ponto onde qualquer um precisa saber do que se trata para não ser chamado de jurássico.

O termo Transmídia, ou narrativa transmidiática (original do inglês transmedia storytelling) é, no meio audiovisual, o termo do momento, graças ao ótimo livro "Cultura de Convergência", de Henry Jenkins. E não é para menos. Algumas das maiores experiências de universo expandido da indústria do entretenimento desenharam alguns dos projetos mais audaciosos e bem sucedidos de divulgação e diálogo com o seu público exatamente trabalhando com estratégias transmidiáticas. Mas, afinal, o que é Transmídia?

O termo é usado para definir um campo que estuda possibilidades de construção de universos, ou mesmo multi-versos, a partir das diferentes interfaces e em torno de um conteúdo narrativo. Neste caso, não se pensa produtos diferentes a partir de uma única matriz, mas sim um único produto a partir das mais variadas formas de comunicação midiáticas. É, desta forma, um fenômeno que se utiliza das mais variadas mídias, interfaces e dispositivos para atingir o seu público com vários elementos narrativos que compõe um todo.

Para ficar mais fácil de se compreender, podemos imaginar um exemplo hipotético. Imagem um filme de ficção científica, onde o autor constrói um universo rico em detalhes, com planetas, civilações, tecnologias, criaturas e tudo mais que uma boa história do gênero pode ter. O longa-metragem, geralmente composto por duas horas centradas em uma linha narrativa com personagens específicos, jornada do herói e tudo mais não dá conta de mostrar toda a mitologia criada e embasada para torna-la crível. O filme se completa, mas não esgota o ambiente criado.

É possível, assim, estabelecer uma série de TV, por exemplo, que serveria como prelúdio daquela trama narrada no filme. Talvez 23 episódios se aprofundando mais na origem de cada um dos personagens. Mesmo assim, há literalmente um universo inteiro para ser desvendado e outras temporadas podem ser criadas a partir do cânone e a série pode se estender até o ponto em que o filme se inicia.

Mesmo assim, há muito o que se explorar. Cria-se então um jogo de videogame para os consoles de última geração, onde o personagem principal é da geração posterior à trama do longa-metragem, algo como um herdeiro de poderes, virtudes ou prestígio. Mas ao contrário do seu predecessor, ele não é o protagonista e sim o grande vilão da estória. Resta ao jogador, de posse de todas as habilidades que foram estabelecidas anteriormente, seja pelo filme, seja pela série, conseguir alcançar um novo objetivo, controlando um ou mais novos protagonistas.

Paralelamente a tudo isso, do outro lado deste pedaço do universo, uma raça desconhecida enfrenta problemas que são resultado dos eventos ocorridos no momento diegético do filme. Cria-se então um segundo longa-metragem que mostra os personagens do primeiro descobrindo tais problemas e tendo que ir até resolve-los, encontrando já a situação bastante avançada. Cabe a uma série de animação, mais curta e com outros protagonistas, exibida na TV, contar o que aconteceu antes dos personagens originais chegarem.

E tudo isso recheado de websódios (ou episódios seriados para internet, geralmente mais curtos que os padrões da televisão), que apresentam pequenos acontecimentos que influenciam na trama principal, ou mesmo jogos de realidade alternativa pela internet, onde o jogador assume o papel de um personagem secundário e passa por situações pararelas ao das tramas do cinema e da TV, histórias em quadrinhos vislumbrando um futuro onde as coisas não acontecem do jeito esperado, um romance abordando a sociedade séculos antes dos acontecimentos da sinopse original, um site corporativo fictício da empresa criada para a trama, dentre tantas outras ramificações possíveis e imagináveis.

Some a tudo isso a participação ativa dos fãs, que acabam, por conta própria e sem nenhum incentivo externo, produzindo conteúdos e compartilhando com outras pessoas que também acompanham a saga. Blogs, fanfics, teorias, debates, fóruns, resenhas, críticas, etc são constantemente alimentados por novas idéias processadas por milhares ou mesmo milhões de mentes pelo mundo. Algumas vezes, criam-se novas mídias tão interessantes quanto às originais, com personagens bem construídos, situações fantásticas e um diálogo com o cânone muito bem costurado. A participação do público é fundamental e parte necessária em uma estratégia transmídia.

Perceba que em nenhum momento, uma mídia simplesmente adaptou a outra. Não há, neste exemplo, a mesma história sendo contada de novo em uma outra linguagem, como é normal acontecer no mundo de entretenimento onde até brinquedos de parques de diversão são adaptados para as telas. Cada mídia se comporta de forma diferente, contando partes de uma narrativa muito mais, cada qual com suas particularidades, compondo um universo e cercando o fã por todos os lados. E cada uma destas partes pode ser auto-suficiente, para que não seja necessário consumir todas as demais para que se possa aproveitar desta. Não é necessário ver a série-prelúdio para se assistir o filme, nem ler as HQs para se jogar o game. Por outro lado, aquele que consegue acessar todas estas informações terá um experiência mais completa daquele universo.

Espero ter introduzido o tema de forma bastante clara, ainda que, no final, virou um emaranhado de coisas que até eu me perdi. Mas espero que logo esse assunto seja desmembrado para que possamos estudar alguns casos, tais como o das franquias Matrix, Star Wars, Lost e Batman. Aguardem novos posts onde esses temas serão abordados à luz do termo da moda, a transmídia.


Referências Bibliográficas

JENKINS, Henry. Cultura da Convergência. São Paulo: Aleph, 2008.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Star Wars - Episódio I: A Ameaça Fantasma

Depois de algumas décadas, o universo Star Wars voltou às telas do cinema, não com uma nova saga de Luke Skywalker ou Han Solo, mas com uma nova trilogia que conta o que ocorreu para se chegar ao confronto apresentado em Star Wars - Episódio IV: Uma Nova Esperança. Fica claro aqui que a saga não é sobre a ascensão de Luke, um garoto com uma vida sofrida qualquer em um planetinha qualquer, à um cavaleiro Jedi, mas sim o caminho de Anakin Skywalker, partindo de um garoto criativo e curioso até se tornar o Sith mais temido do universo. A proposta é, desta forma, contar as histórias das quais só se ouviu falar nos filmes anteriores, como as guerras clônicas, o treinamento de Anakin enquanto aprendiz de Obi-Wan Kenobi e tudo mais, focando na evolução de personalidade e atitudes do talentoso garoto que poderia ser o equilíbrio da Força e que se deixou seduzir pelo lado negro dela. Star Wars - Episódio I: A Ameaça Fantasma é então trazido à vida, dando uma nova roupagem para o visual da série, buscando resgatar a empatia que o público criou com os personagens clássicos para contar uma nova-velha história.

De início, a intensão é realmente mostrar que estamos tratando de um lugar comum e de uma história muito mais complexa do que se poderia prever de longe: conflitos, Senado, Federação do Comércio, invasões de territórios e tantas outras tramas políticas já são jogados ao espectador durante o clássico letreiro com o tema magistral de John Willians. Assim, já somos jogados em uma situação de conflito, onde Jedis são enviados para negociação. Dentre eles, o jovem aprendiz Obi-Wan. Fica claro nessa cena de abertura que a tecnologia permite que as batalhas e as criaturas imaginadas por George Lucas se tornem possíveis. No que se segue, vemos o intrincado ponto de partida se resumir em duas partes: a primeira é a trama de Anakin e os jedis em Tatooine, que culmina na vitória do garoto em uma corrida de pods e na sua libertação da condição de escravo. Ainda que não tenha sido nem um pouco importante para a trama - teoricamente, a aposta feita na corrida serve para que se conserte a nave Nubian que transporta os cavaleiros e a princesa Amidala, e se liberte o garoto, mas obviamente que dois cavaleiros jedis poderiam conseguir ambas as coisas de um povo pouco evoluído belicamente, como pareceu, de outra forma. Ainda assim, a cena é muito bem produzida e divertida. Visualmente, a melhor cena do longa e certamente uma das melhores de toda a saga.

A segunda parte trata da batalha em Naboo, esta mais interessante para a trama. Se Jar Jar Binks é um personagem nem um pouco adorado pelos fãs da série, seu povo protagoniza uma batalha muito bacana contra o exército separatista de dróids. Ainda que exagerada na parte cômica, foi a primeira vez que uma batalha produzida basicamente com personagens em computação gráfica conseguiu atingir um nível épico e gigantesco. Ainda que os Stormtroopers sejam insubstituíveis, não se pode dizer que fizeram falta nessa cena ou no filme inteiro. Nesse ponto, o filme acerta em cheio exatamente no ponto que erra feio: a tecnologia trouxe à saga um novo patamar, mas também deslumbrou tanto a produção que se esqueceu de desenvolver melhor os personagens, seu carisma e suas relações, ponto fundamental na trilogia original. O filme é super-saturado de efeitos belíssimos, mas que não conseguem suprir os defeitos do desenvolvimento dos personagens e os buracos no roteiro.

Não que o elenco seja ruim. Longe disso. Nomes como Liam Neeson, Natalie Portman e Ewan Mcgregor dão um show, guardadas as devidas proporções, em seus personagens. Mesmo os personagens digitais são muito convincentes em suas expressões. Exceto pelo garoto robótico que interpreta Anakin criança, não há o que se questionar no trabalho dos atores. O problema é realmente o desenvolvimento dos personagens na trama. Se os diálogos de Lucas sempre foram sofríveis (para não dizer vergonhosos), aqui fica ainda mais evidente a fraca coerência nas ações e relações que cada um dos personagens desenrola durante o filme. Ainda que se tente trazer ao filme elementos que o liguem com a saga original, como o já citado Obi-Wan, além dos dróides R2-D2 e C3PO, eles pouco estão relacionados à imagem que se tinha deles, ou a que se fazia deles mais novos. O jovem padawan parece perdido o filme inteiro, como se estivesse lá só para mostrar que acompanhou Anakin desde o início.

No final, com a grande batalha espacial de um lado e a competente luta de sabres de luz de outro, o filme cumpre bem seu papel, consegue encantar e trazer a magia de Star Wars de volta às telas, mas fica a sensação que deveria ser muito mais. Se na saga original, o que fica mesmo é o rosto e a expressão dos personagens, seu carisma e sua identificação, o que fica de A Ameaça Fantasma é a beleza visual das grandes cenas, o que mostra que há algo de diferente entre os dois momentos. Não que seja um filme ruim, longe disso, mas talvez pela grande aura criada em torno de uma das sagas mais míticas do cinema, o filme não atinge a sensação que se esperava. Cumpre o seu papel, mas não entra para a história. Parece ser uma expectativa muito grande, mas nada é exagerado para um filme de Star Wars.

domingo, 25 de outubro de 2009

Star Wars - Episódio VI: O Retorno de Jedi

Poderia começar essa crítica da terceira parte da primeira trilogia de Star Wars criticando a tradução do subtítulo. Afinal, Jedi é uma classe de guerreiros e não uma pessoa em si e, portanto, of the Jedi deveria ser algo do tipo dos Jedi. Mas perto de tantas outras traduções ou adaptações absurdas para o português brasileiro, essa nem faz tão mal assim. O que importa mesmo é falar deste filme que fecha, em 1983 (ano que em que nasci!), a trilogia clássica do universo criado por George Lucas. Se Uma Nova Esperança foi revolucionário pela construção de uma mitologia e pelos efeitos especiais, ao mesmo tempo que O Império Contra-Ataca contribuiu para uma expansão deste mesmo universo, além de se aprofundar na construção dos personagens de forma mais obscura e intimista, O Retorno de Jedi tinha a missão de dar um desfecho a todas as tramas desenvolvidas antes e dar cabo da guerra entre o Império e a Aliança Rebelde. E o fez de forma satisfatória, mas não magnífica.

O longa parte de onde o episódio V havia parado. Com o congelamento de Han Solo em carbonite, estabeleceu-se entre o núcleo protagonista o resgate do arrogante piloto das mãos de Jabba (que parece ter desaprendido a falar inglês do quarto para o sexto episódio). Depois da missão bem sucedida, cria-se um plano para terminar de vez com a guerra e se estabelecer de fato a paz no universo. Para tal, é necessário destruir a nova Estrela da Morte que está sendo construída, mais poderosa do que a primeira, e de quebra eliminar o Imperador, que estará no local inspecionando a construção. Para tal, é necessário que se desative o campo de força que protege a obra, cuja fonte está na lua de Endor, em terra, e está protegida pelo exército do Império. Assim, Solo e Leia partem para o planeta cumprir tal missão, ao lado de Chewbacca, R2-D2 e C3PO, enquanto Lando lidera o ataque à estação em órbita. Ainda há uma terceira narrativa paralela que é o grande foco do filme: a transformação de Luke em um cavaleiro Jedi de fato, passando pelo reencontro com Yoda em Dagobah e o seu grande desafio de superar a tentação do lado negro da força.

Por meio destas três tramas, o filme constrói dois climaxes: a batalha final esperada entre Luke e seu pai, Darth Vader, e a batalha espacial definitiva entre as tropas do Império e os Rebeldes. Um grande problema do filme é a sub-utilização do maior grupo de protagonistas na lua de Endor. Solo, Leia e todo o grupo passam o filme todo fazendo amizade com os Ewoks, raça infantilizada de criaturas que os ajudam em sua missão, e destruindo uma estação. Tudo bem que é a missão fundamental do plano de destruição da Estrela da Morte, mas ao mesmo tempo estão todos fora das tramas principais e dos acontecimentos grandiosos. Isso é ruim para o público, que acompanha estes personagens desde o primeiro capítulo da saga e gostaria de vê-los no quebra-pau de fato, e para a narrativa, que o tempo todo está nos preparando para um segundo descendente Jedi, que se descobre mais tarde ser a Princesa Leia, enquanto irmã gêmea de Luke, e nos reforçando sempre que Solo é o maior piloto de todo o universo. Será que a Aliança não teria mais ninguém para explodir um prédio para deixar seu maior piloto liderando um ataque com naves? Ainda que a trama em terra tenha sido sim importante para desenvolver a relação entre ambos, realmente ficou bem abaixo de qualquer expectativa e relegou os demais do grupo a meros coadjuvantes de fato.

Outro problema é a inclusão dos próprios Ewoks como parte tão importante da saga. Não que eu tenha com eles os problemas que outros fãs tem. O que me incomoda é o fato de eles terem tomado uma proporção absurda para a resolução da trama, vencendo um exército bem treinado e muito bem armado de Stromtroopers com zarabatanas, pedras e flechinhas. Na tentativa de infantilizar o longa e de focar também as crianças, a saga se perde na situação ridícula e, depois de tornar esse exército imperial de clones tão temido e respeitado, os destrói em sequências de comédia pastelão. E se pensarmos em tudo o que as guerras clônicas significam para este universo e olharmos para a nova saga, que desenvolve ainda mais a construção desse poderoso exército, fica ainda mais evidente que a solução encontrada é no mínimo equivocada. A importância dada a esses ursinhos é tão grande que a festa comemorando a vitória da Aliança acontece em seu povoado, sendo que deve haver, em algum canto do universo, uma base onde estão todas as pessoas que passaram anos fugindo do império e dando suas vidas pelos seus ideais. De novo, não sou tão xiita ao criticar a figura do Ewok. É a forma como eles tomaram uma importância exagerada no desenvolvimento da trama que me incomoda.

Por outro lado, todo o desenvolvimento entre o triângulo Imperador, Luke e Darth Vader foi muito bem construído. O grande monarca do lado negro da força tentou de todas as formas, algumas realmente muito convincentes, trazer o jovem Luke para o seu lado. Ao mesmo tempo, Vader ia perdendo todas as certezas que havia estabelecido para si e, sem que o Imperador percebesse, era Luke quem estava seduzindo Vader a negar o lado negro. Essa construção de relações foi muito feliz, bem como as cenas de ação entre pai e filho, onde o embate entre sabres de luz era só uma alegoria para o desafio de palavras e argumentos entre eles. Mas, de certo modo, não seria possível convencer o jovem Skywalker por tudo que ele havia passado. Não haviam argumentos tão fortes para trazê-lo para o lado negro, como haviam para Vader em sua época. Anakin sempre foi questionado pelo Conselho Jedi, sempre teve seus atos muito retalhados por Yoda e Obi-Wan Kenobi e viveu todas as contradições que a fé Jedi não permite, sendo as principais delas o romance com Padmé e a tentativa de não permitir a sua morte. Luke não tinha nada disso. Ele sempre foi muito bem tratado e sempre considerado o escolhido, sem ressalvas. Não vivia um romance proibido e não existia nada no lado negro que fosse tão tentador para que ele fizesse essa escolha. Era simplesmente mais fácil, mas obviamente muito ruim. E foi exatamente isso que Vader viu nele e que não havia visto quanto ele próprio foi seduzido e talvez só nesse momento, ele tenha entendido tudo o que havia aprendido em seus tempos de padawan.

No final das contas, Star Wars - Episódio VI: O Retorno de Jedi é muito competente ao fechar uma das maiores sagas cinematográficas de todos os tempos. Apesar dos deslizes, é uma aventura épica muito bem construída, tecnicamente superior aos dois filmes anteriores e que, de todas as formas, satisfaz o que se esperava do final da batalha. Os momentos de despedida entre Luke e dois dos maiores ícones da saga, Yoda e Vader, são realmente cenas clássicas do cinema e certamente valem o longa por si só. Como um todo, a épica história contada por George Lucas reestabeleceu o que chamamos de ficção científica e, até hoje, é cânone para qualquer um que queira se aventurar pelo espaço. E a Força nunca esteve tão forte nele como esteve naquele momento.

Enfim, terminam as postagens sobre a saga clássica e sigamos para a nova trilogia. Será que há um abismo tão grande entre uma e outra? Vejamos a seguir.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Star Wars - Episódio V: O Império Contra-Ataca

Em 1980, Star Wars já era um verdadeiro ícone pop, divisor de águas em todos os sentidos no que diz respeito a cinema e entretenimento de massa. Star Wars - Episódio IV: Uma Nova Esperança rendeu dinheiro e prestígio a George Lucas, e o novo episódio da franquia tinha a missão de sedimentar esse trabalho. Foi nesse contexto que Star Wars - Episódio V: O Império Contra-Ataca foi lançado. Hoje, quase 30 anos depois, muitos fãs e críticos afirmam ser este o melhor dentre todos os filmes da hexalogia. E tem vários motivos para isso, visto que, neste episódio, tudo está maior e mais desenvolvido. Narrativa, diálogos, direção, efeitos especiais, mitologia... tudo é mais denso e, assim, tem mais poder na tela.

O tom do filme, como o sub-título anuncia, é um pouco mais tenebroso que o anterior. Se no episódio IV temos o surgimento de um novo herói, com pureza de coração e altruismo, esse novo episódio foca mais os seus esforços no poder e nas ações do grande antagonista de Luke Skywalker, o poderoso Darth Vader. Suas atitudes e comportamento são bastante claros quando mostram que esse é um guerreiro muito poderoso, um líder bastante ditatorial e um homem sem nenhum valor ético ou moral. Para isso, basta ver os tipos de punição que ele aplica a seus subordinados a cada erro ou seus mandos e desmandos nos acordos que fecha durante toda a fita com Lando. Vader é, de fato, o personagem principal deste filme e, no final das contas, é também o protagonista de toda a saga. E, exatamente por isso, esse capítulo tem um tom mais sombrio e pesado, deixando claro que não é tão simples assim vencer o lado sombrio da Força como foi destruir a Estrela da Morte.

Contudo, não é somente Vader que tem espaço no longa. Temos duas tramas paralelas ocorrendo a partir da primeira grande cena, quando o império invade o planeta gelado de Hoth. De um lado, vemos Han Solo, Leia, Chewbacca e C3PO fugindo na Millenium Falcon e chegando à Cidade das Núvens, lar de Lando, um antigo conhecido de Solo. Lá são traídos pelo anfitrião e feitos prisioneiros do império. Conhecemos então, além de Lando, antigo dono da nave que agora é de Solo, Boba Feet, um caçador de recompensas, e talvez um dos personagens secundários mais cultuados do universo Star Wars. E, obviamente, o personagem mais marcante que faz o seu debute na saga é ninguém menos que o maior cavaleiro Jedi de todos os tempos, Mestre Yoda, que fará parte nesse filme do segundo núcleo narrativo, quando treinará Luke que chega ao planeta de Dagobah com R2-D2. É no final do filme que esses dois universos chegam ao ponto comum, no momento em que o intempestivo jovem Skywalker abandona o treinamento para salvar seus amigos. Yoda mostra, nesse capítulo, o quão sábias são suas palavras e o quanto ele domina da Força e é realmente, ao lado de Darth Vader, o maior ícone de toda a saga.

Algumas coisas ainda incomodam pela mesma inocência do roteiro vista anteriormente. Vemos novamente Luke sendo muito devoto a Ben, ou Obi-Wan Kenobi, mesmo tendo passado menos do que 3 dias sendo treinado e orientado pelo velho Jedi. Mesmo Vader cita que seu antigo mestre ensinou seu oponente muito bem. Aliás, a passagem de Luke de um piloto muito competente e um garoto voluntarioso para um Jedi que consegue enfrentar e até atingir o grande Vader é rápida demais. É claro que ainda não havia essa visão geral, mas se Anakin demorou mais de 30 anos da sua vida para atingir o nível de controle da Força apresentado nesse episódio, é um pouco de exagero Luke, com 3 dias de treinamento com Ben e mais 2 dias com Yoda possa ter algo ao menos parecido. Tudo bem que ele foi derrotado, teve sua mão decepada e tudo mais, e que Vader nem estava realmente querendo matá-lo logo de cara, e isso pode demonstrar que o duelo foi só uma brincadeira de Vader enquanto ele tentava convencer Luke a ir para o lado sombrio da Força, mas ainda assim a intenção parecia congelar o jovem padawan e Vader nem chegou perto de conseguir isso.

De qualquer forma, esses detalhes não chegam nem perto de influenciar no resultado final, já que posso afirmar tudo isso tendo uma visão um pouco maior de todo o caminho da franquia e, provavelmente naquele momento não se tinha todo esse panorama de como era realmente o treinamento de um garoto até chegar ao status de Sith ou Jedi. O Império Contra-Ataca tem uma dinâmica bastante interessante ao estabelecer duas tramas paralelas e dá espaço para um aprofundamento das relações entre os personagens. Não só entre Luke e Yoda ou entre Luke e Darth Vader, mas também entre Chewbacca e C3PO, Solo e Lando e, obviamente, a relação de amor e ódio entre Solo e Leia. O desfecho absolutamente aberto já mostrava a certeza da realização de um terceiro episódio, deixando claro que este era um capítulo intermediário e que tinha a missão de complicar as coisas, aprofundar alguns personagens já estabelecidos, apresentar outros e preparar o terreno para o grande e iminente embate final. E ainda há espaço para a revelação mais estrondosa da saga e certamente uma das mais marcantes de toda a história do cinema: "Luke, I'm your father..." Certamente, eu tenho a sorte de poder assistir a'O Retorno de Jedi assim que tiver um tempinho. Posso imaginar como foi a espera do público por três anos naquela época...

domingo, 4 de outubro de 2009

O que os Stormtroopers fazem que nunca foi mostrado...

Ok, ok... eu prometi que a postagem seguinte sobre Star Wars trataria de O Império Contra-Ataca, mas quando vi essas imagens, eu não resisti. Esse Stéfan realmente tem uma grande criatividade em compor situações hilárias com alguns de seus ítens de colecionador. A imagem abaixo é só um exemplo desse trabalho bacana, que pode ser conferido aqui, no Flickr dele.


Nesta coleção, vemos o que fazem os Stormtroopers quando estão fe folga. As vezes se divertindo, as vezes fazendo aquilo que foram treinados para fazer, eles realmente se mostram dedicados ao que fazem. Se foram os anos de guerras ou o poder da Força que os deixaram assim, não podemos saber. Resta-nos rir ao acompanhar esse álbum até o fim, até porque é impossível não ver a próxima foto. E obrigado ao ótimo Território Nerd pela indicação, local onde vi esse link pela primeira vez. É isso aí!

sábado, 3 de outubro de 2009

Star Wars - Episódio IV: Uma Nova Esperança

Quando vi a primeira trilogia de Star Wars de uma só vez em dois dias, poucos meses antes da estréia de A Ameaça Fantasma, me senti muito a vontade naquele ambiente. Tinha algumas das cenas de todos os filmes na cabeça, mas não sabia de onde elas se encaixavam na cronologia da franquia. Vieram então os novos filmes e, junto, uma pancada de críticas negativas, sempre comparando um momento com o outro. Estou nesse momento reassistindo toda a hexologia, logo depois de ver as animações de Clone Wars, cuja crítica vocês podem encontrar aqui para o longa e aqui para a primeira temporada da série de TV. Escolhi começar tudinho não pelo episódio I, mas sim pelo episódio 4, como o mundo inteiro viu no decorrer de quase 3 décadas.

Certamente, em 1977 os tempos eram outros. A tecnologia e a tradição do cinema de ficção científica não eram tão valorizados como o são agora, onde praticamente todo longa lançado pela indústria norte-americana tem alguma coisa construída inteiramente por computação gráfica. Nesse sentido, todos concordam que Star Wars, que logo ganharia o sub-título de Episódio IV: Uma Nova Esperança, foi uma grande revolução no quesito efeitos especiais e na utilizaçãoi destes para se contar uma história. São efeitos realmente geniais, ainda que hoje deve-se desconfiar de alguns pontos que se vê no DVD, já que muita coisa foi inserida digitalmente nessas últimas versões. De qualquer forma, a linguagem visual continua lá, da forma em que foi pensada, e nesse ponto podemos continuar nos deslumbrando com a visualidade que Lucas deu à sua criação.

Ainda assim, o que nos é canônico é passível de críticas também. O roteiro do longa é bastante complexo em sua simplicidade, ou bastante simples em sua complexidade. Mas também é, de certa forma, inocente nas relações que constrói, ou mesmo nos personagens que cria. Há algo de errado em como Luke vê a morte de seus tios, aqueles que o criaram desde que era um bebê. Por mais que ele tenha ressalvas quanto à forma que seu tio o impede de fazer o que quer, não há como estranhar que ele sinta mais falta de Obi-Wan do que de sua família. No longa, sua lamentação pela morte do mestre Jedi é muito mais longa e mais passional do que o luto por aqueles com quem ele cresceu. Aliás, as relações entre os personagens se estabelecem de forma muito rápida e, mesmo dando um dinamismo interessante à fita, permitindo que duas horas passem muito rapidamente, também deixam buracos. A birra que Leia tem com ambos no momento do seu resgate não parece ser de alguém que estava completamente sem esperanças e que foi resgatada pelas únicas pessoas que poderiam dar sobrevida à Aliança Rebelde. Enfim, algo que não afeta o resultado final, até porque não é dessas construções que o filme trata, mas que pode incomodar a um segundo ou terceiro olhares.

Nada tão grave que prejudique o desenvolvimento da trama. Somos apresentados a personagens que se tornariam ícones do cinema de fantasia, como Han Solo, Chewbacca, C3PO, R2-D2, Jabba, e outros. Cada qual com suas particularidades e possibilidades. O mais interessante, ao se fazer um paralelo entre este episódio de 1977 e a animação Clone Wars, de 2008, com uma diferença de mais de 30 anos, é que são os personagens dróides que mais conseguem manter suas características de forma coerente. Se vemos que Darth Vader não está no maior posto da hierarquia do Império, lembramos que tanto Jedis como Siths eram os grandes líderes de seus exércitos nas guerras clônicas. Obviamente que ele cresce de forma absoluta nos episódios 5 e 6 enquanto o maior de todos os vilões, mas nesse filme ele nos é apresentado como mais um soldado, em quem sequer seus comandados acreditam. Aliás, como é que alguém pode dizer que a Força é uma crendice ou uma feitiçaria ultrapassada depois da demonstração de Vader enforcando um homem a distância? Até Tomé acreditaria na Força depois de ver...

Ainda que o resgate da Princesa Leia tenha sido bastante empolgante e as cenas de ação muito bem trabalhadas, é mesmo a cena final, na busca da destruição da Estrela da Morte, o grande clímax do filme. Os caças rebeldes e seu plano são incríveis em batalha contra o império e o esforço de Luke para acertar o alvo utilizando a Força é de tirar o fôlego. A tensão e a adrenalina da cena são um espetáculo que por si só já valem tudo que o filme representa para o mundo nerd. E pensar que esse é só o começo (ou seria o meio?) da maior batalha que o universo já viu.

Na próxima postagem sobre Star Wars, falarei daquele que é considerado por muitos como o melhor filme de toda a hexologia e um dos maiores da história do cinema: Episódio 5: O Império Contra-Ataca. Continuem conectados aqui no Pensando Imagem e Som e no Twitter do blog: @pensandois. E que a Força esteja com todos nós.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Star Wars - The Clone Wars - 1ª Temporada

Há alguns dias, falei aqui no PIS sobre o longa-metragem em animação lançada nos cinemas em 2008, situado entre os episódios 2 e 3 da hexalogia clássica dos cinemas. Se você não viu a crítica, leia antes de prosseguir com esse texto.

Sendo uma sequência direta do longa, Star Wars, a série, continua a contar novas batalhas e acontecimentos ocorridos durante a grande guerra clônica, sempre citada no universo Star Wars, inclusive na trilogia original. Depois do sequestro do filho de Jabba contado no filme, vemos nos 22 episódios desta primeira temporada o desenvolvimento da relação entre Anakin e Ahsoka, além de explorar um pouco mais personagens já vistos na série animada em 2D, como Ventress e Fisto. Vemos também como o General Grievous comanda seus subalternos e várias relações hierárquicas tanto do lado da República quanto entre os Separatistas. Enfim, há espaço para que o universo expandido da série, realmente possa ser explorado.

Já era promessa que o longa seria só um season premiere da série, mas a recepção ruim que obteve tanto entre os fãs quanto com a crítica colocou em xeque o futuro da franquia. Felizmente, a série realmente mostrou o propósito do projeto como um todo, e somados, longa e primeira temporada, conquistam um resultado muito expressivo. Ainda que haja grandes reviravoltas ou surpresas, a série é bastante competente tecnicamente e até narrativamente.

Não há uma sequência absoluta entre os eventos narrados. Alguns episódios são continuações um do outro, mas no geral, são eventos bastante isolados. Assim, quando termina-se de contar o que aconteceu na invasão separatista a um planeta, no episódio seguinte estamos no meio de outra batalha, em outro canto do universo, com outros personagens de cada lado. Essa característica dá um dinamismo interessante para essa guerra de proporções gigantes e, o mais interessante, o ponto de ligação do lado da república são... os clones! Agora eles tem rosto, ainda que seja o mesmo, mas cada qual apresenta características bastante diferentes uns dos outros, físicas e psicológicas. assim, temos soldados cabeludos e outros de cabelo raspado, ou ainda usando barba e outras pequenas diferenças. Vemos também que eles são bastante obedientes, respeitando sempre as decisões de seus superiores, sendo estes clones, jedis ou senadores. É claro que nesse tipo de universo há um outro traidor, mas no geral eles parecem muito bem criados para serem massa de manobra, como eles mesmos assumem em certo episódio. Ao confirmar a morte de um colega, ou "irmão", um deles pede para Ahsoka não se preocupar, pois era pra isso que eles haviam nascido, mesmo sem esconder um sentimento pelo seu semelhante.

Assim, os clones finalmente tiram seus elmos e mostram sua humanidade, que são agentes pensantes e que tem sentimentos, ainda que nem tentem se desligar da guerra ou de sua função, do seu destino. Talvez essa seja a grande virtude desta primeira temporada e espero que isso se mantenha, ainda que entenda que o foco muda em cada momento do seriado.

Sinto que a mudança pela qual Anakin passa ainda é muito incipiente e não dá para acreditar que o ser mais altruísta que já empunhou o sabre de luz possa se tornar aquele que é sem dúvida o símbolo máximo de Star Wars: Darth Vader. Certamente, com a mesma idade de Luke quando o enfrentou, Anakin é muito mais honrado e destemido que seu filho. Ainda que inconsequente e, as vezes, desobediente, parece que ele estaria disposto a entregar tudo o que tem, inclusive sua vida, pelo que acredita e sua transformação parece incoerente. Talvez outros eventos possam abalar sua honra e suas crenças para que ele se encontre naquela posição de questionamento do episódio III da nova trilogia. Quem sabe até o destino de Ahsoka, sua aprendiz e com quem desenvolveu um grande laço afetivo já nesta primeira temporada faça parte dessa transformação, já que certamente ela não tem um destino feliz.

No mais, senti falta de um envolvimento maior de outros personagens consagrados, como o Conde Dookan e, principalmente Mestre Yoda. O primeiro apareceu sempre como um mentor, ou um grande líder, mas sua maior atividade foi no longa. O segundo teve um episódio centrado em si e em suas habilidades, mas também apareceu mais como holograma dando ordens do que efetivamente em ação. Creio que Lucas precisa explorar um pouco mais essas figuras que são bastante icônicas do universo que ele criou.

Para a próxima temporada, que já se inicia no dia 02 de outubro, há uma promessa de o foco estar bastante voltado aos Caçadores de Recompensa, figurinhas carimbadas no universo de Star Wars e que já mostrou um potencial bastante imponente no season finale da primeira temporada, com Cad Bane. Tomara mesmo que possamos ter 4 ou 5 temporadas como Lucas prometeu e que as Guerras Clônicas, que estão longe de se esgotar enquanto tema, sejam realmente épicas como todos sempre soubemos, mas sem nunca te-las visto.

sábado, 26 de setembro de 2009

Star Wars - The Clone Wars

Finalmente, depois de quase um ano, Star Wars é assunto aqui no PIS. Porque nenhum blog que fala de entretenimento e cultura pop que se preze deve se abster de falar do universo que se tornou o ícone maior dos nerds. E o debute no assunto fica por conta de Star Wars - The Clone Wars, longa-metragem em animação lançado nos cinemas em 2008 pela Lucas Arts como parte inicial de uma nova empreitada da franquia, que mais tarde seria seguida na TV.

Definitivamente, o filme tem dois públicos distintos. O primeiro é obviamente os fanáticos por tudo que a marca Star Wars representa. O outro é o público infantil, para quem Lucas parece pretender fazer a iniciação no seu universo. Desta forma, deve-se analisar o longa por meio desses dois centros.

Na trama, que não é lá muito bem elaborada como se poderia esperar, o filho de Jabba é sequestrado e cabe à República fazer o resgate do infante Hunt para que desta forma tenham livre acesso à área controlada pela meleca gigante. Não é um roteiro primoroso, até porque não parece fazer muita diferença na mitologia toda criada se pensarmos de forma isolada. O longa não deve ser pensado como um produto único e sim como um episódio de algo maior, que são as tais guerras clônicas que terão sequência no seriado de TV. De certa forma, o desenvolvimento da trama, das relações entre personagens novos e antigos e tudo mais, só começa aqui para ser continuado mais tarde.

Se olharmos com os olhos nerds, o longa é uma expansão do multiverso criado por Lucas. Pode-se entender um pouco mais a estrutura familiar e hierárquica de Jabba, conhecer máquinas e armas de guerra, tanto pelo lado da República como pelo lado dos separatistas, entre outras coisas e, obviamente, a principal inserção do filme, que é a aprendiz de Anakin Skywalker, Ahsoka Tano, que será figura central do filme e da série. Talvez até o seu destino que será finito (já que ela não faz parte deste universo na terceira parte da segunda trilogia) possa até ser um dos motivos para levar Anakin a questionar o seu código e suas convicções acerca do estilo de vida Jedi. Enfim, se houve uma certa decepção com o longa por parte da crítica e dos fãs, é porque se esperava um episódio "2.5" ou algo assim, quando na verdade esse meio termo entre os episódios II e III será dado por um amálgama de episódios, cujo longa é apenas o season premiere. Aliás, não perca aqui mesmo no PIS a crítica da primeira temporada.

Já se pensarmos pelo lado da infantilização da história, talvez o longa seja um pouco mais feliz. Exatamente por não ter uma trama intrincada ou complexa, pode ser palatável para os mais jovens que em seguida verão os mesmos personagens na TV e, quem sabe, se tornarem uma nova leva de fãs da hexalogia e, principalmente, da trilogia clássica que não é tão acessível como era antigamente, já que não passa com tanta frequência na TV aberta aqui ou nos Estados Unidos. Os personagens podem nos parecer irritantes, principalmente Ahsoka, mas ela tem um potencial de apelo com as crianças e, mais especificamente ainda, com as meninas. Sim, porque em um universo dominado por homens (ou personagens do sexo masculino), como Luke Skywalker, Darth Vader, Mestre Yoda, Mace Windu, dentre outros, e uma personagem Jedi central pode cativar esse público. É o grande acerto do longa, se pensarmos em marketing e na tal cauda longa, de Chris Anderson, já que busca expandir seus domínios.

Enfim, como filme, só e somente só, The Clone Wars não funciona pelos vários motivos já citados. Como peça fundamental no universo da franquia também não. Mas talvez nenhuma dessas parece ter sido a intenção de George Lucas. É um início de uma nova série, para um novo público, com uma nova proposta. É um produto periférico que nunca será fechado e depende de tudo o que já foi estabelecido em todos os sentidos: enredo, identificação com os personagens, fascínio com os sabres de luz, etc, bem como do que ela mesma se transformará com os episódios de 20 minutos na TV. Desse modo, só poderá receber um veredito sobre sua relevância aos créditos do episódio final, que pode ter até 5 temporadas, segundo o próprio produtor. Esperemos que ele saiba onde tudo isso vai terminar. Mais do que nunca, que a Força esteja com ele.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Star Trek, o que já foi Jornada nas Estrelas...

Pois é... os tempos mudam. Com a geração internet, os nomes de filmes e seriados cada vez mais deixam de ser traduzidos, ou adaptados para a língua local. Com séries, essa característica é ainda maior. Os fãs começam a acompanhar os episódios dos seriados norte-americanos (ou de qualquer outra parte do mundo) antes mesmo de uma emissora brasileira, aberta ou não, comprar os direitos de exibição e traduzir para o idioma local. E quando chegam, já está no imaginário coletivo de muita gente com o nome original. É assim com Lost, com Prison Break, Heroes, e até mesmo Friends, que é anterior a essa febre dos torrents da vida. Alguns ainda adaptam os nomes, como Smallville, que ganhou um as aventuras do superboy como subtítulo, ou Monk, que tem a frase um detetive diferente acompanhando a exibição nacional. Mas tudo é pró-forma. No final, quem assiste, assiste a Monk ou a Smallville. E logo vão assistir Fringe, True Blood, Damages...

Mas o que isso tem a ver com o assunto desye post, afinal de contas? Como o filme ainda não estreiou, deixo aqui o widget de Star Trek, que um dia, em uma galáxia muito distante, já foi chamada pelos brasileiros de Jornada nas Estrelas, assim como o termo Guerra nas Estrelas foi apagado do mapa como se nunca tivesse existido para dar lugar ao nome "mundial", Star Wars. E para uma nova geração que não viu a série original na TV, Jornada nas Estrelas, a partir de agora, será somente uma vaga referência dos pais. Em um esforço de revitalizar a lendária franquia, J.J. Abrams, um dos nomes mais celebrados pela cultura pop atual, começa do zero, passando uma borracha nos péssimos últimos filmes produzidos para o universo e trazendo outros ares para novos e antigos fãs. As críticas e comentários de quem assistiu, trekker ou não, estão excelentes. Agora, é conferir os resultados nos cinemas. Assistamos Star Trek então. E quem quiser ver Jornada nas Estrelas vai ficar perdido quando for comprar o ingresso no cinema
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