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segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

[ Review ] Fringe

Depois de cinco temporadas, chega ao fim a controversa série Fringe (exibida na TV aberta brasileira sem muito alarde como Fronteiras). Em terras tupiniquins, a Warner fez uma grande maratona neste final de semana de carnaval, permitindo que se visse, de uma vez só, os 13 episódios da temporada derradeira. Nada mais lógico, levando-se em conta que este quinto ano nada mais foi do que um grande filme em 13 partes. Foi feita pra isso, planejada exatamente para ser o desfecho para a série que, muitas vezes, esteve a perigo do cancelamento sem uma conclusão digna, graças aos números nunca empolgantes da audiência americana.

Contexto de lado, este texto se pretende uma reflexão sobre a série como um todo, desde seu primeiro e grandioso episódio e o primeiro evento Fringe no qual Olivia se envolveu, até o sacrifício de Walter para que seu filho e a agente do FBI pudessem viver o seu felizes para sempre. A primeira consideração me parece óbvia: não houve um grande arco planejado para a série como um todo. Ou seja, não houve um elemento que fosse criado desde o princípio para ser resolvido, mesmo que parcialmente, até o final do seriado. A temática, mesmo ela, foi mudando ao longo do tempo. Deixamos de acompanhar eventos estranhos e isolados da ciência de borda, por assim dizer, para acompanhar questões como paradigmas temporais, mundos alternativos e futuro apocalíptico.

Claro que, desde sempre, os observadores estavam lá. Sempre foi uma das grandes diversões encontrar o sujeito em cada episódio exibido, presenciando o tal evento bizarro. Mas não acredito que isso seja uma marca de iniciar ali a trama que os envolveria em uma invasão e os transformaria nos grandes antagonistas da temporada final. Talvez, se formos por outro caminho, o grande arco foi mesmo o desenvolvimento das relações entre Peter e Walter enquanto filho e pai, bem como no amadurecimento de Olivia e seus conflitos internos. Em outras palavras, assim como o caminho escolhido para Lost (curiosamente, também originado na mente nerd de J. J. Abrams), Fringe se focou no desenvolvimento e no aprofundamento de seus personagens.


Ainda assim, foi muito interessante ver alguns pontos da série serem retomados ao final, ajudando a compor um grande ciclo, como as viagens entre universos paralelos, alguns eventos que fizeram parte das temporadas anteriores (com direito a observador flutuante, cérebro de homem-porco-espinho e rostos cicatrizados ao extremo) e o famigerado Cortexiphan, cada qual com sua função narrativa, ao mesmo tempo que gerava uma espécie de fan service. Mesmo a Gene esteve presente em um dos vários momentos emotivos de despedida que marcaram principalmente a metade final da quinta temporada.

Mas, de fato, talvez o que possa ter incomodado mais seja a fragilidade do plano final de Walter. Tratado o tempo todo como a salvação praticamente infalível do mundo, o plano se baseava na aposta que as pessoas do futuro mudariam de ideia no rumo de suas pesquisas científicas ao verem o garoto que desenvolveu inteligência superior conjugado à emoção. Ora... e se eles simplesmente concordassem que o garoto era mesmo só uma anomalia? E se Walter não conseguisse conversar com eles? E se o menino simplesmente fosse atropelado no caminho? Para um cientista brilhante e uma série que lhe dá com o improvável, mas ainda assim científico, faltou um pouco de lógica no plano onde todos investiram todas as fichas.

Enfim, com todos os deslizes, as mudanças de rumo e as derrapadas na audiência, com todas as críticas e as comparações (inevitáveis) com Arquivo X e Lost, com todas as piadas de Walter e as caras sofridas de Olivia, Fringe se mostrou uma ótima experiência. Não é perfeita, nem o foi em sua temporada final, mas nem por isso deixa de estar acima da média no que consta os seriados americanos. Ótima ficção científica em dias onde o tema está bastante esgotado pela televisão. Ótimo também o fato de terem dado a oportunidade dos produtores fecharem a série com planejamento (e não cancelando quando não haveria mais tempo, como ocorreu com Heroes e tantas outras). Que seja um bom exemplo a ser seguido.




sexta-feira, 2 de setembro de 2011

[ Preview ] Death Valley

Depois de lançar o controverso Teen Wolf, a MTV americana se compromete a colocar mais uma série com temática sobrenatural no ar, desta vez com uma pegada um pouco mais adulta. Ainda que corajosa, a série se mostra ainda instável em sua proposta, tendo um roteiro bastante fraco, diálogos medianos e situações até aqui bem fracas para algo pretende ser chamado de comédia de terror. No episódio de abertura, um punhado de situações que se pretendem engraçadas, mas que acabam por ser constrangedoras. Mas há uma certa esperança para a série, pois há possibilidades de crescimento dos personagens, da própria estrutura narrativa e das situações toscas que parecem ser o mote do show.

Death Valley apresenta um grupo de policiais, o Undead Task Force, responsável por combater o surgimento de criaturas que aterrorizam sua vizinhança: zumbis, vampiros e lobisomens. Absurdamente, estes seres existem, sabe-se lá porque, mas não tomaram conta (ainda) do mundo e são só indivíduos à margem da sociedade que devem ser combatidos. A proposta, que surge do absurdo de reunir tudo isso numa panela só, é interessante, já que a intenção é realmente explorar as situações ridículas que podem resultar de um grupo bizarro de tiras combatendo essas forças do mal. O problema é a execução. No final do episódio de abertura, tem-se uma sensação de que preciosos minutos da vida foram perdidos, já que não há nada que faça rir de verdade, nem mesmo que cause aquela sensação de ser engraçado ou de que, em um dia mais alegre, seria motivo para um leve sorriso. E não há nada mais frustrante em uma comédia do que não fazer rir.

Com uma proposta de linguagem que lembra bastante os programas policiais mais conhecidos nos Estados Unidos, sendo o mais famoso deles Cops - que no Brasil tem algo parecido em Polícia 24 Horas, na Band - o dia-a-dia destes policiais é acompanhado por uma equipe de TV, o Channel 5. Os técnicos e a parafernalha são, portanto, parte da diegese e não é difícil que personagens interajam com o cara que segura o boom ou com a câmera, em primeira pessoa. É a estética do mocumentário, ou falso documentário. Também há situações que satirizam as consagradas séries policiais tradicionais, como CSI, por exemplo, no que tange investigação e resolução de casos. Contudo, a salada feita com tudo isso não dá liga. As piadas não funcionam, o timing do elenco ainda é bastante pobre e a execução parece apressada, juntando um monte de trechos que não fazem sentido quando unidos. Ainda que seja uma característica destes programas que acompanham casos isolados, não funciona neste primeiro episódio, já que os personagens não são apresentados de um modo que se entenda o porque e como estão ali, nem suas diferenças mais básicas.

Todavia, ainda há um certo crédito. A proposta é muito boa e abre possibilidades enormes para casos e situações. As gags devem ser melhor trabalhadas a medida que o público vá conhecendo os personagens e suas particularidades. A maquiagem é boa, ainda que a caracterização das criaturas ainda esteja meio confusa, e os efeitos especiais não comprometem. As cenas dos próximos episódios, exibidas ao final do season premiere, dão uma sensação que a série tende a melhorar. Tomara, porque não se pode perder uma boa idéia tão rápido assim. Principalmente quando se aborda as criaturas mais legais do universo pop.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

[ Review ] Falling Skies - 1ª Temporada

ETs e invasões alienígenas não são nenhuma novidade no mundo do entretenimento, certo? Orson Welles conseguiu, segundo relatos, criar um certo pânico quando, lá em 1938, com um programa de rádio adaptando a obra de H. G. Wells - Guerra dos Mundos - em formato de noticiário falso. Saiba mais sobre essa passagem da história do cinema em um artigo especial do Omelete clicando AQUI. Depois disso (antes também), não faltam exemplos na literatura, no cinema, na televisão e nos videogames de histórias que se baseiam na chegada, quase nunca pacífica, de vida inteligente ao nosso planeta. De homenzinhos verdes de Marte até robôs gigantescos de Cybertron, de Wookies a Predadores, o universo inteiro tem interesse em dominar a Terra, ou pelo menos abusar um pouquinho dela, começando geralmente pelos Estados Unidos da América (de preferência, no Dia da Independência americana, como nos ensinou Roland Emmerich).

Neste contexto, Steven Spielberg também tem suas contribuições. Do pacífico ser de olhos grandes de ET - O Extraterrestre até a adaptação do mesmo Guerra dos Mundos, o cineasta sempre foi referência no mundo nerd quando o assunto eram os seres de outro planeta. Portanto, não é por acaso que assina essa nova produção que também se propõe a explorar o tema. O que leva, certamente, a pergunta: Porque ele faria isso? O que mais esse sub-gênero pode oferecer que não esteja sendo repetido por todos os cantos com produções questionáveis para o cinema como Invasão do Mundo: Batalha de Los Angeles ou Skyline? O que o formato de seriado pode querer depois do relativo fracasso da nova versão de V - A Batalha Final? Falling Skies é a resposta para todas essas perguntas. Talvez não uma resposta maravilhosa, e para alguns uma péssima resposta, mas mesmo assim, uma nova idéia.

Não que o seriado, que acaba de encerrar a sua primeira temporada de apenas 10 episódios nos States, seja maravilhosamente original. A sensação de quem assiste e acompanha o dia-a-dia de um grupo de sobreviventes de uma invasão alienígena é de que já viu aquilo algumas vezes. Mas, ao não se focar nas grandiosas batalhas, e sim nas relações entre personagens, a produção que é encabeçada por Spielberg se destaca e, no final das contas, vale a pena ser acompanhada. Tanto que já está renovada para mais uma temporada e a tendência é de se manter firme, com um público fiel e já bastante estabelecido.

Resumindo, a trama se concentra alguns meses depois de uma invasão que praticamente dizimou a população do nosso planeta. Os ETs chegaram, desligaram tudo o que era eletrônico por aqui, o que atingiu todas as nossas possibilidades de defesa, e venceram. Sequestraram pré-adolescentes e mataram o resto. Há poucos sobreviventes vivendo em pequenas comunidades, algumas das quais compostas do que sobrou das forças armadas e civis. O foco da narrativa está no grupo nomeado como a 2ª de Massachusetts, e está centrada na família de Tom Mason, ex-professor de História e segundo no comando do agrupamento, abaixo somente do Capitão Weaver, um militar aposentado. Na tentativa diária de sobreviver e de manter as pessoas a salvo, eles enfrentam com poucos recursos as ameaças daqueles que chamaram de Mechs (robôs fortemente armados) e de Skitters (criaturas alienígenas de seis pernas e uma aparência monstruosa). A série não demora a mostrar que há outra espécia alienígena dentre os invasores e que parecem, de fato, serem os líderes da invasão; e que as crianças sequestradas estão sendo escravizadas com uma espécie de parasita que controla seu centro nervoso.

Como dito anteriormente, o clima do seriado não é o mesmo visto em grandes produções como Independence Day ou Guerra dos Mundos. A invasão não está acontecendo; ela já aconteceu. Não há mais como salvar o planeta da destruição. Tudo isso já passou. O apocalipse já se deu. Portanto, não se deve olhar para a série esperando grandes batalhas aéreas, mas sim um clima de mundo desolado e de sobrevivência. E, neste aspecto, Falling Skies está muito mais próximo de The Walking Dead ou de produções focadas em zumbis. Parece estranho, mas a ambientação de que o grande inimigo, muito mais poderoso e já dominante, é a mesma. E, neste momento, tudo o que se entende como modo de vida está comprometido. A raça humana passa a ser acuada e sua estrutura social é profundamente modificada.

Curioso ver como produtos de entretenimento americanos sempre retratam uma sociedade devastada sobrevivendo e conseguindo progredir a partir de conceitos semelhantes a uma idéia comunista de divisão de trabalho e compartilhamento de recursos. Fosse a mesma lógica de dominadores e dominados do capitalismo, focos de resistência à processos de extermínio jamais conseguiriam prosperar. E, desta forma, pode-se comparar a 2ª Mass com qualquer grupo de sobreviventes dos filmes de George Romero. Coincidência, ou não, as crianças que são tomadas pelos invasores se parecem muito com zumbis recém-transformados, mantendo suas feições e seus traços físicos, mas totalmente privados das emoções humanas de outrora. Tudo isso, contudo, com uma roupagem sci-fi muito bem construída, com efeitos especiais coerentes e um desenvolvimento da história bastante interessante. Até porque apenas 10 episódios por temporada permitem que não haja necessidade da chamada "barriga", ou, em outras palavras, de enrolação. O grupo todo de personagens centrais tem relevância e permitem um aprofundamento cada vez mais acentuado, o que abre espaço para tantas outras temporadas que vierem.

Curioso também que, neste mesmo paralelo com filmes e séries de zumbis, Falling Skies muitas vezes abdica de mostrar os ETs o tempo todo. Há episódios que eles sequer dão as caras. Muitas vezes, o inimigo de outro mundo não é nada comparado ao cara que está ao seu lado e que supostamente luta pelos mesmos objetivos. Não foram poucos os momentos onde sobreviventes tiveram que enfrentar ou se defender de outros humanos na busca pelo dia seguinte, pelo pão ou pela sua família. Com essa idéia de focar na construção de relações humanas pós-fim do mundo é que a série se destaca dentre tantas outras produções com a mesma temática. Isso pode agradar muitos, mas também desagrada tantos outros

Como balanço final da primeira temporada, Falling Skies se mostra interessante e apresenta um grande potencial de ser realmente uma série memorável. Os personagens ainda não são tão cativantes a ponto de o espectador se importar verdadeiramente com eles, o que é uma falha grande quando a produção se foca exatamente neste ponto. Contudo, o desenrolar de novas temporadas tende a nos aproximar da vida e da intimidade de cada um deles, os humanizando e, assim, tornando-os caros. O final do último episódio abre uma brecha curiosa sobre como o protagonista irá seguir adiante e, mesmo o season finale não sendo bombástico (em todos os sentidos), cria uma boa expectativa para o que tem por vir. Tomara que estes ETs sejam menos burros que tantos outros e saibam instalar anti-virus nos seus computadores e tomem direitinho as suas vacinas contra bactérias terrestres. Ninguém consegue atravessar o universo e destruir uma civilização sem ser esperto o bastante para se preparar para coisas assim...

segunda-feira, 25 de julho de 2011

[ Review ] Game of Thrones - 1ª Temporada

O universo medieval e a fantasia sempre foram fonte de grandes histórias épicas e criações extraordinárias. J.R.R. Tolkien e seu universo já consagrado em tantas obras (desde a clássica trilogia O Senhor dos Anéis até outras obras que se ambientam neste mesmo universo, como O Hobbit - a caminho do cinema - e O Silmarillion, dentre tantas outras) é talvez o maior expoente deste nicho, mas está muito longe de ser o único. C.S. Lewis e a grande obra As Crônicas de Nárnia (que não obteve, no cinema, o mesmo sucesso da trilogia dirigida por Peter Jackson, mas que também se tornou bastante conhecida), Christopher Paolini e a saga que se iniciou em Eragon (que também não foi feliz na sua adaptação para as telonas) e Licia Troisi e suas Crônicas do Mundo Emerso são outros dos muitos exemplos onde mitos e criaturas fantásticas se encontram com espadas, reinos, cavaleiros e armaduras. Game of Thrones, série da HBO baseada na série de livros As Crônicas de Gelo e Fogo (ou originalmente A Song of Ice and Fire) de George R. R. Martin, também se propõe a explorar essa espécie de gênero, ou subgênero, ao mesmo tempo que consegue estabelecer uma identidade própria, distanciando-se assim das outras obras citadas anteriormente, ao mesmo tempo que mantém uma sensação de familiaridade em seu público.

Basicamente, a primeira temporada segue alguns arcos bastante distintos, mas todos girando em torno no poder, representado pela monarquia que comanda os Sete Reinos de Westeros. Acompanhamos as famílias Stark, Lannister, Baratheon e Targaryen, além do povo Dothraki em suas caminhadas, que se cruzam no passado e no presente em torno do tão desejado Trono de Ferro. Conhecemos espaços como o Porto Real, capital dos Sete Reinos; A Muralha, última proteção ao norte; Winterfell, terra dos senhores do norte; e tantas outras cidades e povoados que nos mostram a extensão e a diversidade deste universo criado por Martin. Nomes de personagens e lugares parecem bastante complicados de se aprender no início, mas naturalmente, ao longo destes 10 primeiros episódios, o espectador passa a conviver com os eles e reconhece-los. O desenvolvimento de cada um deles se dá de forma muito interessante e cada um tem sua jornada pessoal bem explorada. Ainda que seja um mundo complexa, a série é bastante feliz ao trazer o público para si e para os dramas pessoais vividos naquelas terras. E a belíssima abertura é um espetáculo à parte ao montar, quase que em maquete, os espaços que vamos conhecendo ao longo do percurso. Não é necessário sequer aquelas grandes paisagens exploradas por Peter Jackson, por exemplo, para se ter a dimensão dos Sete Reinos de Westeros. Ponto para os criadores que resolveram essa questão de forma muito criativa e não menos fascinante.

Além dos personagens, a trama também se desenvolve com uma facilidade quase que natural. Tudo se encadeia de modo bastante orgânico, funcionando em seus contextos sem parecer forçado. A separação de cada família também garante que, mesmo havendo tantos membros em cada Casa, os indivíduos tem, cada qual, a sua personalidade única, suas motivações e seus caminhos diferenciados. Ainda que há um certo protagonismo da família Stark, não há lados bom e ruim. Há influências familiares, claro, nas ações de cada personagem, mas há também aquilo que os torna únicos. O então alardeado jogo dos tronos se dá exatamente pela diversidade de intenções e consequências das ações de cada um. E exatamente por essa característica, não se pode eleger o herói e o vilão da história desde já, com tantas nuances entre todos eles ocorrendo o tempo todo.

Cada episódio deixa claro, por meio de suas escolhas, que não se deve esperar que, ao final de sei-lá-quantas temporadas, um ou outro seja eleito o rei e viva feliz para sempre. O penúltimo episódio é bastante corajoso ao mostrar que não há receio de se inverter papéis arquetípicos entre todos os personagens. Assim, é aqui que a história consegue estabelecer sua identidade. A jornada do herói, bastante conhecida deste e de tantos outros universos, não pode ser prevista. Ao mesmo tempo que sabemos quem será aquele pelo qual torceremos em histórias tradicionais, e que no fundo sabemos que será ele a salvar o dia, em Game of Thrones nada disto fica claro, aumentando então a tensão de que tudo pode acontecer.

Esta primeira temporada, contudo, deixou alguns (poucos) fãs um tanto quanto decepcionados pela falta de batalhas grandiosas e grandes embates entre as Casas antagonistas. Pode-se dizer que, no cinema, o climax destes combates é bastante necessário. Em O Senhor dos Anéis, por exemplo, cada um dos filmes exigia uma batalha épica por filme. No entanto, em um seriado que pode durar alguns anos e tantas horas mais, é fundamental que se guarde esse momentos para situações que realmente devam ficar marcadas como grandiosas. Até porque a batalha seguinte, nestes casos, precisa ser, necessariamente, maior, mais sangrenta, mais violenta, com mais gente lutando (e morrendo). Isso seria insanamente difícil de se fazer toda temporada. Assim, gostei bastante das escolhas da produção em explorar a personalidade de cada personagem e os desdobramentos de suas ações nesta temporada de apresentação.

Os efeitos especiais estão absolutamente apropriados, sem nenhum exagero, trazendo ainda mais realismo à trama, mesmo esta tendo elementos tão sobrenaturais e fantásticos como uma boa história como essa pede. A direção de arte é muito competente na sua proposta, não devendo nada para nenhuma superprodução do cinema, trazendo referências de tantas culturas diferentes, mas mantendo aquilo que nos é tão familiar. O elenco também mostra muita segurança nas nuances da construção de personagens tão complexos. Nomes como Sean Bean (que parece ter nascido para atuar nesse tipo de produção, lembrando muitas vezes sua competente atuação no primeiro SDA), Lena Headey (depois do épico 300 e de sua participação no seriado de O Exterminador do Futuro como Sarah Connor, em uma reconstrução muito interessante de uma personagem bastante cultuada e que, em muitos momentos, salvou a série) e Mark Addy trazem ainda mais respeito à série. Mais uma vez, o esmero da HBO se reflete na qualidade estética e narrativa de sua produção. Definitivamente, Game of Thrones é recomendação máxima, principalmente em um ano de estréias bastante medianas.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

[ Review ] Caprica

Em apenas uma temporada, pode-se vislumbrar o ápice da sociedade de consumo antes da expansão da inteligência artificial que culminaria na derrocada da humanidade no universo de Battlestar Galactica. A impressão é que havia muito ainda o que explorar se a série tivesse sido renovada e o público tivesse respondido positivamente à proposta da produção, que jamais tentou repetir o série original em linguagem ou mesmo esteticamente. Talvez esse tenha sido o seu maior erro.

Caprica se passa 58 anos antes do evento cataclísmico retratado no início da saga de BSG, onde os cylons atacam as 12 colônias, dentre ela a capital Caprica, quase que exterminando a raça humana. Neste prelúdio, cada planeta ainda é independente e, portanto, não está sob o mesmo governo, característica destacada em BSG. Caprica se mostra como a colônia mais avançada economicamente e tecnologicamente, enquanto outros são retratados com características diversas. Tauron está sob constante conflito interno e parece bastante tradicionalista enquanto Gemenon, com uma paisagem bastante interessante, é mostrada com a mais espiritualizada, detalhes que já haviam sido mencionados na série original.

Aqui, o espectador é apresentado a basicamente duas famílias, os Greystones e os Adamas, enquanto a trama se desenvolve nas relações estabelecidas entre seus membros a partir de um evento base, o atentado ao trem que faz como vítimas membros de ambos os clãs. Zoe Greystone, filha de Daniel e Amanda, é um gênio na informática e consegue, antes mesmo do pai, criar um software que possibilita que exista personagens virtuais, ou avatares, em um universo virtual, semelhantes aos seus donos, mas que podem agir por conta própria. Parece complicado, mas, trocando em miúdos, ela é capaz de criar uma "vida" independente no ambiente virtual.

Com o acidente - do qual não demora para receber a culpa - e a sua morte, a Zoe digital continua existindo e acaba sendo incorporada por seu pai a um corpo cibernético, o primeiro protótipo do que se tornaria, mais tarde, o arauto da destruição da humanidade. Mas a trama se amplia, agregando outras ótimas discussões. Conhecemos uma sociedade secreta (ou nem tanto) de monoteístas, chamada de STO (Soldiers of The One) da qual Zoe e seus amigos faziam parte; conhecemos a fundo as relações da família Adama com o que poderíamos chamar de máfia Tauroniana e, assim, as bases onde o futuro Almirante da Galactica é criado, bem como outros pontos que ajudariam a desencadear os acontecimentos futuros.

A série, cancelada antes mesmo do fim de sua primeira temporada e que teve 18 episódios exibidos, se mostra bastante diferente de sua matriz, como dito anteriormente. O ritmo dos acontecimentos é bem mais lento, quebrando a expectativa de quem esperava por novas batalhas aéreas, naves e espaço. Ainda que esteja diretamente ligada a BSG, é independente tanto na trama quanto nas demais características. Isso espantou o público fiel à série original, ao mesmo tempo que não conseguiu agregar novos fãs, culminando no seu fim prematuro. Contudo, está longe de ser ruim. Ao contrário, é uma ótima série dramática, que aborda temas como preconceito, xenofobia, fundamentalismo religioso, empolgação exagerada com a tecnologia e a dualidade entre real e virtual. Tudo muito bem estruturado e bastante orgânico, ainda que sem a ação que se esperava. Antes de mais nada, é sobre as relações humanas e não sobre tecnologia e, deste modo, acabou não tendo tempo de achar o seu público.

Mesmo com o cancelamento, a série conseguiu fechar o seu arco. O final acabou ficando bastante corrido e o epílogo mostrou um vislumbre do que se pretendia explorar ao longo de outras tantas temporadas. Obviamente, escancarou-se ali que Caprica tinha um potencial imenso de desenvolvimento de suas tramas, já que o caminho até a realidade retratada em BSG é muito rico e denso. Espero que o vindouro Blood and Chrome, outro spin-off do universo de Battlestar Galactica, possa dar conta de se desenvolver e explorar as lacunas abertas por tudo o que já foi mostrado. Mesmo que para isso tenha que abrir mão de suas possibilidades narrativas para agradar o público americano.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

[ Preview ] Nikita - 1ª Temporada

Quando se anunciou a produção de uma nova versão do seriado Nikita, pela CW, houve muita desconfiança sobre como, porquê e quem estava trazendo de volta a personagem que foi trazida ao público pela primeira vez em 1990, no filme La Femme Nikita, de Luc Besson, e que esteve presente na TV por cinco temporadas, entre 1997 e 2001.

Aos poucos, esses sujeitos começaram a ser revelados. McG, diretor de filmes como As Panteras e O Exterminador do Futuro - A Salvação é quem leva a série enquanto produtor executivo para a CW. A atriz havaiana Maggie Q protagoniza a trama como a mercenária vingativa que empresta o nome à série. Ela é conhecida do público do cinema por participações em blockbusters como Duro de Matar 4.0 e Missão Impossível III, e até mesmo de quem conhece um pouco mais sobre quem trabalha em jogos por ter participado de Need for Speed: Undercover. Ou seja, nomes de peso da indústria do entretenimento se mostraram envolvidos e a coisa começou a ficar mais interessante.

Alguns episódios exibidos foram definitivos para mostrar a que a série veio. E é uma ótima proposta. Ainda que a narrativa não seja lá muito original, o trabalho de direção em cada episódio e a construção de personagens são muito bem executados. A ação é bem dosada, foge dos exageros comuns em produtos de McG e é bastante convincente. A interpretação, tanto da protagonista quanto dos demais, é muito interessante por permitir que a personalidade de cada um não fique em pontos rasos e maniqueístas. Além disso, a história é muito bem amarrada e, mesmo não tendo até então um grande fio condutor, prende o espectador e sempre deixa a vontade de ver o próximo episódio.

Enfim, é uma ótima série e, dentre as estreiantes deste fall season, certamente uma das melhores. A tendência é que seja renovada e tenha uma vida longa nas telinhas.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Star Wars - The Clone Wars - 1ª Temporada

Há alguns dias, falei aqui no PIS sobre o longa-metragem em animação lançada nos cinemas em 2008, situado entre os episódios 2 e 3 da hexalogia clássica dos cinemas. Se você não viu a crítica, leia antes de prosseguir com esse texto.

Sendo uma sequência direta do longa, Star Wars, a série, continua a contar novas batalhas e acontecimentos ocorridos durante a grande guerra clônica, sempre citada no universo Star Wars, inclusive na trilogia original. Depois do sequestro do filho de Jabba contado no filme, vemos nos 22 episódios desta primeira temporada o desenvolvimento da relação entre Anakin e Ahsoka, além de explorar um pouco mais personagens já vistos na série animada em 2D, como Ventress e Fisto. Vemos também como o General Grievous comanda seus subalternos e várias relações hierárquicas tanto do lado da República quanto entre os Separatistas. Enfim, há espaço para que o universo expandido da série, realmente possa ser explorado.

Já era promessa que o longa seria só um season premiere da série, mas a recepção ruim que obteve tanto entre os fãs quanto com a crítica colocou em xeque o futuro da franquia. Felizmente, a série realmente mostrou o propósito do projeto como um todo, e somados, longa e primeira temporada, conquistam um resultado muito expressivo. Ainda que haja grandes reviravoltas ou surpresas, a série é bastante competente tecnicamente e até narrativamente.

Não há uma sequência absoluta entre os eventos narrados. Alguns episódios são continuações um do outro, mas no geral, são eventos bastante isolados. Assim, quando termina-se de contar o que aconteceu na invasão separatista a um planeta, no episódio seguinte estamos no meio de outra batalha, em outro canto do universo, com outros personagens de cada lado. Essa característica dá um dinamismo interessante para essa guerra de proporções gigantes e, o mais interessante, o ponto de ligação do lado da república são... os clones! Agora eles tem rosto, ainda que seja o mesmo, mas cada qual apresenta características bastante diferentes uns dos outros, físicas e psicológicas. assim, temos soldados cabeludos e outros de cabelo raspado, ou ainda usando barba e outras pequenas diferenças. Vemos também que eles são bastante obedientes, respeitando sempre as decisões de seus superiores, sendo estes clones, jedis ou senadores. É claro que nesse tipo de universo há um outro traidor, mas no geral eles parecem muito bem criados para serem massa de manobra, como eles mesmos assumem em certo episódio. Ao confirmar a morte de um colega, ou "irmão", um deles pede para Ahsoka não se preocupar, pois era pra isso que eles haviam nascido, mesmo sem esconder um sentimento pelo seu semelhante.

Assim, os clones finalmente tiram seus elmos e mostram sua humanidade, que são agentes pensantes e que tem sentimentos, ainda que nem tentem se desligar da guerra ou de sua função, do seu destino. Talvez essa seja a grande virtude desta primeira temporada e espero que isso se mantenha, ainda que entenda que o foco muda em cada momento do seriado.

Sinto que a mudança pela qual Anakin passa ainda é muito incipiente e não dá para acreditar que o ser mais altruísta que já empunhou o sabre de luz possa se tornar aquele que é sem dúvida o símbolo máximo de Star Wars: Darth Vader. Certamente, com a mesma idade de Luke quando o enfrentou, Anakin é muito mais honrado e destemido que seu filho. Ainda que inconsequente e, as vezes, desobediente, parece que ele estaria disposto a entregar tudo o que tem, inclusive sua vida, pelo que acredita e sua transformação parece incoerente. Talvez outros eventos possam abalar sua honra e suas crenças para que ele se encontre naquela posição de questionamento do episódio III da nova trilogia. Quem sabe até o destino de Ahsoka, sua aprendiz e com quem desenvolveu um grande laço afetivo já nesta primeira temporada faça parte dessa transformação, já que certamente ela não tem um destino feliz.

No mais, senti falta de um envolvimento maior de outros personagens consagrados, como o Conde Dookan e, principalmente Mestre Yoda. O primeiro apareceu sempre como um mentor, ou um grande líder, mas sua maior atividade foi no longa. O segundo teve um episódio centrado em si e em suas habilidades, mas também apareceu mais como holograma dando ordens do que efetivamente em ação. Creio que Lucas precisa explorar um pouco mais essas figuras que são bastante icônicas do universo que ele criou.

Para a próxima temporada, que já se inicia no dia 02 de outubro, há uma promessa de o foco estar bastante voltado aos Caçadores de Recompensa, figurinhas carimbadas no universo de Star Wars e que já mostrou um potencial bastante imponente no season finale da primeira temporada, com Cad Bane. Tomara mesmo que possamos ter 4 ou 5 temporadas como Lucas prometeu e que as Guerras Clônicas, que estão longe de se esgotar enquanto tema, sejam realmente épicas como todos sempre soubemos, mas sem nunca te-las visto.

sábado, 26 de setembro de 2009

Star Wars - The Clone Wars

Finalmente, depois de quase um ano, Star Wars é assunto aqui no PIS. Porque nenhum blog que fala de entretenimento e cultura pop que se preze deve se abster de falar do universo que se tornou o ícone maior dos nerds. E o debute no assunto fica por conta de Star Wars - The Clone Wars, longa-metragem em animação lançado nos cinemas em 2008 pela Lucas Arts como parte inicial de uma nova empreitada da franquia, que mais tarde seria seguida na TV.

Definitivamente, o filme tem dois públicos distintos. O primeiro é obviamente os fanáticos por tudo que a marca Star Wars representa. O outro é o público infantil, para quem Lucas parece pretender fazer a iniciação no seu universo. Desta forma, deve-se analisar o longa por meio desses dois centros.

Na trama, que não é lá muito bem elaborada como se poderia esperar, o filho de Jabba é sequestrado e cabe à República fazer o resgate do infante Hunt para que desta forma tenham livre acesso à área controlada pela meleca gigante. Não é um roteiro primoroso, até porque não parece fazer muita diferença na mitologia toda criada se pensarmos de forma isolada. O longa não deve ser pensado como um produto único e sim como um episódio de algo maior, que são as tais guerras clônicas que terão sequência no seriado de TV. De certa forma, o desenvolvimento da trama, das relações entre personagens novos e antigos e tudo mais, só começa aqui para ser continuado mais tarde.

Se olharmos com os olhos nerds, o longa é uma expansão do multiverso criado por Lucas. Pode-se entender um pouco mais a estrutura familiar e hierárquica de Jabba, conhecer máquinas e armas de guerra, tanto pelo lado da República como pelo lado dos separatistas, entre outras coisas e, obviamente, a principal inserção do filme, que é a aprendiz de Anakin Skywalker, Ahsoka Tano, que será figura central do filme e da série. Talvez até o seu destino que será finito (já que ela não faz parte deste universo na terceira parte da segunda trilogia) possa até ser um dos motivos para levar Anakin a questionar o seu código e suas convicções acerca do estilo de vida Jedi. Enfim, se houve uma certa decepção com o longa por parte da crítica e dos fãs, é porque se esperava um episódio "2.5" ou algo assim, quando na verdade esse meio termo entre os episódios II e III será dado por um amálgama de episódios, cujo longa é apenas o season premiere. Aliás, não perca aqui mesmo no PIS a crítica da primeira temporada.

Já se pensarmos pelo lado da infantilização da história, talvez o longa seja um pouco mais feliz. Exatamente por não ter uma trama intrincada ou complexa, pode ser palatável para os mais jovens que em seguida verão os mesmos personagens na TV e, quem sabe, se tornarem uma nova leva de fãs da hexalogia e, principalmente, da trilogia clássica que não é tão acessível como era antigamente, já que não passa com tanta frequência na TV aberta aqui ou nos Estados Unidos. Os personagens podem nos parecer irritantes, principalmente Ahsoka, mas ela tem um potencial de apelo com as crianças e, mais especificamente ainda, com as meninas. Sim, porque em um universo dominado por homens (ou personagens do sexo masculino), como Luke Skywalker, Darth Vader, Mestre Yoda, Mace Windu, dentre outros, e uma personagem Jedi central pode cativar esse público. É o grande acerto do longa, se pensarmos em marketing e na tal cauda longa, de Chris Anderson, já que busca expandir seus domínios.

Enfim, como filme, só e somente só, The Clone Wars não funciona pelos vários motivos já citados. Como peça fundamental no universo da franquia também não. Mas talvez nenhuma dessas parece ter sido a intenção de George Lucas. É um início de uma nova série, para um novo público, com uma nova proposta. É um produto periférico que nunca será fechado e depende de tudo o que já foi estabelecido em todos os sentidos: enredo, identificação com os personagens, fascínio com os sabres de luz, etc, bem como do que ela mesma se transformará com os episódios de 20 minutos na TV. Desse modo, só poderá receber um veredito sobre sua relevância aos créditos do episódio final, que pode ter até 5 temporadas, segundo o próprio produtor. Esperemos que ele saiba onde tudo isso vai terminar. Mais do que nunca, que a Força esteja com ele.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

True Blood - 2ª Temporada

Com o fim da segunda temporada de True Blood, ocorrida neste último final de semana na TV norte-americana, mais um ciclo na história se fechou, e como podia-se esperar, outros tantos começaram. Com o final do décimo-segundo episódio, algumas coisas se resolveram, mas outras parecem ter apenas começado. Foi uma ótima temporada, superando todas as expectativas, mas como na temporada anterior, com um final nada mais do que bom. Se não foi surpreendente como alguns dos episódios anteriores, o season finale foi bem digno e fecha de forma muito satisfatória esse segundo ano da série-sensação do mid-season.

Na primeira temporada, foram dois focos bem interessantes que introduziram a série. O primeiro deles, e um reflexo imediato da moda atual de vampiros, é a volta da sensualidade e da sedução ligados a essas criaturas, o que havia se perdido um pouco com o passar dos anos, onde vampiros não passavam de monstros e criaturas horrendas. O segundo, e mais importante e significante, foi a questão do preconceito e da fúria em se confrontar o diferente. Nesta segunda temporada, também foram dois os focos, muito mais delimitados pela própria estrutura narrativa, que se dividiu até os episódios finais em dois núcleos em dois lugares distintos: o de Bon Temps e o de Dallas.

O primeiro foi a expansão no universo mitológico da série. Não só vampiros, mas outras criaturas sobrenaturais e mitológicas surgiram com muita força. Além de Maryann, a mênade que remete diretamente à mitologia grega, encontramos Daphne, outra metamorfa como Sam, e Barry, outro telepata, como Sookie. Também vimos que Eric pode voar, o que nem chegou perto de ser explicado. Há muito o que se explorar nessa mitologia nas próximas temporadas. Esperem por lobisomens, que sempre são citados, e outras características vampirescas ainda não reveladas. E, obviamente, há os poderes especiais de Sookie, que parece ter um dom muito maior do que o de "simplesmente" ler mentes.

O segundo foco bastante explorado nessa temporada, e que promete retornar ainda mais forte no futuro, é o fanatismo religioso. Nesse ponto, True Blood tem sido muito feliz em explorar a forma como o modo "xiita" de ver as coisas pode ser catastrófico. Nada menos do que uma grande metáfora à história mundial construída sobre os escombros de guerras religiosas e ideológicas durante séculos, ou mesmo milênios. O núcleo de Dallas soube apresentar personagens muito ricos de ambos os lados, simpatizantes e inimigos dos vampiros, diversificando, dentro desses grupos, elementos mais ou menos radicais. Newlin se mostrou um grande covarde manipulador, Luke acabou explodindo como um grande alienado e Sarah enquanto uma mulher que acredita tão inocentemente em tudo isso que perdeu a noção de realidade. Ao mesmo tempo, conhecemos Godric, o qual todos esperavam ser um viceral assassino pela idade e força que acumulou e que acabou se mostrando muito equilibrado e evoluído. Dentre seus iguais, há os mais fervorosos e selvagens, como a própria Lorena, e os mais burocratas, como a vampira que sempre tem embates na televisão com o pastor. Enfim, Alan Ball consegue fugir do maniqueísmo puro e mostrar que não há um lado certo e um errado, ou heróis e bandidos, mas um universo muito mais complexo, onde caçador e caça se misturam e se confundem. Mostra que o poder da manipulação através de uma figura divina pode cegar, como o Sociedade do Sol fez com tantos jovens, ou pode até fazer com que as pessoas percam-se de si mesmas, como Maryann fez com os cidadãos de Bon Temps.

Esta temporada foi bastante proveitosa em tantos outros aspectos que ficou impossível de não se esperar ainda mais das próximas. A história de amor de Sookie e Bill, que não agrada a todos os fãs, já teria pimenta o suficiente se ela tivesse simplesmente aceitado o anel de noivado. Com o sequestro do vampiro, tudo parece que fica ainda maior. Eric parece ser mais ameaçador ao romance de ambos do que nunca e, de cara, surge como principal suspeito do sequestro de Bill, se pensarmos no seu último diálogo com a rainha. A história paralela de Jessica foi bastante cativante, ainda que completamente fora da narrativa principal. Creio que esteja faltando um envolvimento maior dela com a trama central, mas o gancho para a próxima temporada aponta para outro caminho e decepciona os tantos seguidores do casal que ela forma com Hoyt. Ainda temos pontas soltas que devem ser mais focadas no próximo ano, como a volta de Lafayette à ativa na venda de V, agora sob o comando de Eric e da Rainha, além de a prima perdida de Sookie ser uma das servas desta mesma rainha, que deve ter uma participação maior no ano 3. E obviamente personagens como Jason, Tara e Sam encontrarão outras aventuras na cidade que parece se tornar o centro de todas os entraves entre vampiros, humanos e o que mais aparecer.

Agora, é esperar até o meio do ano que vem para ver se a série que se tornou mania vai manter o ótimo nível que construiu. Esperamos que sim.

domingo, 16 de agosto de 2009

Guerra Urbana - Jogo On-line

Há poucos dias, tratamos aqui no PIS sobre a questão de adaptações de uma mídia para outra. Uma outra forma interessante de trabalhar com seriados, filmes e jogos é o que acostumamos chamar de universo expandido, ou mesmo de cauda longa, onde um produto não se fecha em si como único, mas sim pode ser levado a outras formas midiáticas. No cinema, há muitos jogos que são uma espécie de continuação da narrativa original, ou mesmo uma nova visão do evento. Na TV, Lost e seus ARGs não foram novidades, mas realmente foi um divisor de águas.

Nessa mesma linha, a Fox desenvolveu Guerra Urbana, uma forma de expansão e divulgação do seriado 9mm São Paulo. Totalmente em português, com gráficos bem bacanas para um jogo gratuíto e on-line, ambientado na capital paulista e com fatos bem corriqueiros do cotidiano brasileiro. não chega a ser um jogo onde se passa horas, já que a trama é relativamente curta, mas é muito divertido e só se para quando termina. É a indicação do PIS! Clique abaixo e jogue também, no Baixaki Jogos.



sábado, 25 de julho de 2009

CDZ Comics - Tirinhas muito bem sacadas!

Quem assiste CDZ ou qualquer animê, principalmente os de mitologias e heróis, sabe do que se trata este post. Sabe aqueles buracos no roteiro que a gente sempre questiona? Ou mesmo o fato das armaduras serem somente adornos e o maior espaço do corpo dos cavaleiros de bronze está realmente descoberto? Ou até o fato da roupa mudar de cor quando a armadura é vestida? Ou incoerências nos discursos dos personagens? Pois é... o pessoal do CDZ Comics, de uma forma muito bem-humorada e cheia de talento, conseguiu colocar alguns desses pontos no papel (ou seria no Corel?) e criaram material para horas de diversão ermética para quem gosta, é fã e acompanha a saga dos Cavaleiros do Zodíaco. O traço é bastante estilizado e icônico e dispensa apresentações. O texto é muito inteligente e dialoga com o seriado de forma muito sagaz. Realmente, indispensável para quem curte o seriado.

Abaixo, segue uma das várias tirinhas que eles criaram e publicaram. Os créditos, obviamente, vai para o pessoal do blog, com toda a honra de poder publicá-la aqui no PIS. Vejam mais no CDZ Comics.

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E também não deixem de conferir um texto sobre CDZ publicado aqui mesmo no PIS.


quinta-feira, 16 de julho de 2009

Fringe no Toon Series!

Há algum tempo que eu gostaria de postar essas imagens aqui, mas só agora é que consegui ter um tempinho para juntá-las e trazer para o PIS.

Com muita honra, apresento algumas das versões "toonserianas" dos personagens principais de uma das melhores surpresas da nova safra de seriados dos últimos anos. Fringe não é novidade aqui no Pensando Imagem e Som, já que a sua primeira temporada já foi analisada aqui.


Agradeço mais uma vez ao pessoal do Toon Séries pelas imagens e os parabenizo pelo ótimo trabalhando que estão desenvolvendo dando seu traço a nossos personagens principais. É um grande prazer poder trazer um pouco do trabalho de vocês para cá. E quem quiser conhecer mais do trabalho deles, mesmo estas imagens em alta definição, visitem o blog deles e, certamente, prepare-se para gastar um bom tempo com tanto trabalho bom!

domingo, 12 de julho de 2009

True Blood - 1ª Temporada

Confesso que demorei muito para me interessar por este seriado. Estava um tanto quanto dedicado a outras, e o tempo infelizmente é limitado, mas o burburinho positivo e a campanha para o início da segunda temporada me chamaram a atenção. No final das contas, assisti esta primeira temporada em menos de duas semanas, a tempo de alcançar e acompanhar a série normalmente agora.

True Blood não é uma série sobre vampiros, como muitos a definem simploriamente. É uma série sobre diferenças. na trama, Sookie Stackhouse (Anna Paquin) é uma típica garota do interior nore-americano, garçonete e extrovertida, mas que tem uma particularidade: consegue ler os pensamentos de outras pessoas, meio que involuntariamente. Curioso como exatamente quebrando a premissa de falar de vampiros x pessoas normais, a primeira pessoa diferente a ser apresentada ao público é... uma humana! Bill (Stephen Moyer) é apresentado logo em seguida, como um vampiro agora integrado à sociedade. Isso é possível porque, durante séculos, os vampiros estiveram à margem da sociedade "civilizada", enquanto lendas, mas assim que uma empresa japonesa criou sangue sintético, chamado de Tru Blood, as criaturas imortais poderiam então conviver pacificamente entre os humanos, já que não precisariam se alimentar deles. o encantamento de Sookie e Bill é instantâneo, incomodando muita gente, dentre eles seu chefe, seu irmão e sua melhor amiga. a trama da primeira temporada se desenvolve então não acerca de um amor proibido, mas sim um amor socialmente pouco aceito.

O roteiro é bastante competente. Consegue envolver cada um dos personagens, em maior ou menor grau, em uma trama una e bem amarrada. Tem-se tramas paralelas, com as roubadas que o irmão de Sookie, Jason, se envolve por causa de mulheres e prazer. Há o drama familiar de Tara, sua melhor amiga, e o "núcleo" dos vampiros mais barra-pesada, que supostamente estão dando pouca ou nenhuma importância à nova lei civil que dá direitos comuns a eles. Tudo isso girando em torno de um complexo relacionamento do casal central. A direção já tem um pouco menos de sorte que o roteiro. Muitas vezes, a dinâmica de cena é bastante estranha, principalmente em momentos de maior tensão e interação entre mais do que três personagens. Bons exemplos dessa direção perdida são o momento onde Sookie encontra outros vampiros na casa de Bill, onde cada personagem parece estar sobrando quando há um diálogo entre dois deles. Outros momentos parecidos são algumas das sequências dentro do bar, cenário onde o seriado se desenvolve por um bom tempo de tela. É como se cada crise, cada discussão, cada conversa fosse invisível aos demais. A impressão é a mesma daqueles filmes onde o motorista conversa com o passageiro no carro sem olhar para onde está indo. É como se a situação fosse somente uma desculpa para o diálogo, e não parte da narrativa. Esse incômodo pode passar desapercebido se olharmos por cima, mas de certa forma influencia até mesmo na veracidade do momento.

O que realmente há de se destacar em True Blood é a sua temática. Sendo uma adaptação de livros, espera-se muito da trama. Ela resgata aquilo que de mais interessante há nos vampiros, principalmente se lembrarmos de Nosferatu ou até do Drácula (o de Bram Stoker, não as terríveis leituras dele nos últimos tempos no cinema e na TV), que é aquele clima de sedução. Um vampiro não ataca suas vítimas como uma besta, ou um monstro. Ele joga, o tempo todo, em alto nível, com a libido, com a curiosidade, com o medo, mas aquele medo bom de se sentir, com a adrenalina, com o instinto de gostar do perigo natural do ser humano. Uma mulher não foge de um vampiro. Ela praticamente quer ser mordida. são criaturas sobrenaturais e, exatamente por isso, podem ser diferentes, quem sabe melhores, que homens mortais. São conquistadores que desenvolvem por séculos uma técnica para conquistar suas presas e, extamente por isso, não são animais, como lobisomens ou tantos outros. É exatamente essa a sensação de Sookie ao se aproximar de Bill. O fato de ela não conseguir ler sua mente é só uma alegoria para mostrar a ela que ele é completamente diferente de qualquer outro homem que ela tenha conhecido, o que lhe causa fascínio.

Um outro grande ponto a se destacar é a questão do "aceitar o outro". Mesmo depois de conquistar o direito constitucional, os vampiros são excluidos da sociedade, cheio de rótulos e de pré-concepções a seu respeito. O fato da trama se passar em uma cidade sulista e interiorana dos Estados Unidos não é mera formalidade. Mesmo a guerra civil americana, que muitas vezes é citada nessa primeira temporada, traz muita significação na questão do preconceito. Assim como a integração dos negros na sociedade tradicional e puritana americana, o "enturmamento" dos vampiros é carregado de muita discriminação e segregação. Aqueles que parecem dispostos a seguir com seus direitos adiquiridos sofrem com represálias, as vezes violentas. Não importa quem você é, mas sim de onde você vem. Escravos negros eram considerados sub-humanos e indignos de viver entre as pessoas superiores, o que gerava muita indigação e confronto. O fato de Tara sempre citar a questão dos escravos e, ao mesmo tempo, ser a primeira a questionar o encantamento de Sookie por Bill é a metáfora da hipocrisia. Direitos iguais para todos nós, mas não para aqueles de quem já temos um conceito formado. E foi exatamente nesse ponto que a série me surpreendeu mais: escancarar, de forma simbólica, o quanto somos preconceito ao que nos é diferente. religião, cor, raça... a história da humanidade é marcada por guerras e todas elas são causadas, basicamente, pela intolerância ao outro.

Se a questão de direção for melhor trabalha e a série seguir tratando destes temas com toda a coragem que mostrou na primeira temporada, tem tudo para ser mais do que um entretenimento de romance e terror. E, se não pode ser eterna como um vampiro, que tenha uma longa vida.
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