terça-feira, 4 de agosto de 2009

Pânico na TV e a ridicularização do outro

Não é novidade que o corpo, principalmente o feminino, é explorado na televisão de forma exagerada e sexualizada até o último nível. Minhas primeiras lembranças de programas de TV ainda são do programa do Chacrinha, e lá nos idos dos anos 80, as dançarinas e ajudantes de palco já apareciam semi-nuas, em coreografias não menos sensuais. Tenho certeza que em programas anteriores o fato se repetia e acabou se tornando algo tão corriqueiro que não se questiona mais programas de auditório, comédias ou de variedades que se utilizam de tal linguagem. E o programa Pânico na TV, da Rede TV! não foge à regra. A cada corte, a cada ida e volta ao intervalo comercial ou entre videotapes, a câmera está pegando as dançarinas de um ângulo ginecológico. E infelizmente, essa é a coisa mais normal que se poderia ter.

A erotização é algo que se utiliza, normalmente, para se alavancar a audiência. Se alguém está procurando algo para assitir na TV aberta (e tem que procurar bastante ultimamente), e sentir atração por mulheres, no mínimo vai deixar no canal para que, na pior das hipóteses, verá uma ou outra bunda rebolante. Não contentes, porém, os humoristas do programa encontraram um modo de mostrar um outro lado dessa erotização, criando um quadro chamado A musa da beleza interior, que na verdade não passa de uma forma de encontrar a pessoa que esteja mais fora dos padrões de beleza, geralmente na praia, e a expor ao ridículo e à humilhação de se exibir enquanto um animal grotesco, um monstro de quem se deve ter nojo. Infelizmente, a grande maioria das pessoas que participa do quadro são de classes mais pobres e, por ignorância ou inocência, sequer entendem pelo que estão passando, tornando essa exposição ainda mais ridícula ao se sujeitar aos caprichos dos tais humoristas.

Se a televisão há muito tempo dita modas e tendências, se afirma o que é bonito, o que é certo, o que é fino, agora faz questão de mostrar o quanto pessoas normais podem ser o oposto do que ela prega, aumentando ainda mais o abismo entre o que é cômico e o que é desrespeito. Não só com a pessoa que está expondo, porque infelizmente ela aceitou tal fato e provavelmente ganhou uma quantia considerável de dinheiro, mas principalmente com o espectador, que consome aquilo enquanto diversão às custas da falta de ética com o outro e a falta de respeito com o que lhe é diferente. Certamente, todas as pessoas que riem e apontam o dedo em frente a televisão odiariam passar por tamanha humilhação. Infelizmente, poucos se permitem refletir um pouco mais sobre o que estão rindo. E o espetáculo do desrespeito continua.
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