domingo, 27 de setembro de 2009

Anjos e Demônios

Angels and Demons
(Hon Howard, 2009)


Está chegando agora às locadoras o novo filme adaptado da série de best-sellers de Dan Brown, Anjos e Demônios. Ainda que seja um livro que precede O Código Da Vinci tanto na cronologia de lançamento quanto no espaço ficcional, o filme assume a postura contrária, sendo desta forma, uma continuação do longa de 2006. E se o primeiro recebeu duras pancadas da crítica especializada, dos fãs do livro-fenômeno e da igreja católica, este parece ter encontrado seu ponto de equilíbrio com todas essas partes.

Na trama, o simbologista Robert Langdon é chamado ao Vaticano para ajudar nas investigações relacionadas ao sequestro de quatro cardeais, todos favoritos a assumir o mais alto cargo do clero: o papado. Mesmo descontente com o pesquisador, a igreja o chama por ter fortes indícios de que a responsabilidade pela crise é de uma sociedade secreta que se auto-denomina Illuminati. Como Langdon é especialista no assunto, há aqui uma trégua para tentar evitar um desastre para a entidade. Soma-se a ele a cientista Vittoria Vetra, cuja pesquisa resultou na produção de anti-matéria, que de um jeito ou de outro pode ajudar na compreensão da formação do universo e que, ao mesmo tempo, pode se tornar um explosivo de proporções absurdas. Essa anti-matéria foi roubada e tudo isso parece ter ligação com o sequestro dos cardeais. Assim, seus caminhos se cruzam em busca do caminho da iluminação e da solução do problema antes que todos os cardeais sejam mortos e o Vaticano todo vá pelos ares.

O filme é bastante feliz na construção dos personagens e na elevação da narrativa. Tom Hanks parece mais a vontade no papel do simbologista e Ayelet Zurer tem muito mais presença do que Audrey Tatou teve no filme anterior. Parece ter mais vontade também e, ainda que não tenha tido nenhuma grande cena dramática e de carga de atuação, convence bem no papel. Ewan McGregor também está muito bem no papel do carmelengo e o elenco parece funcionar bem. Da mesma forma, a narrativa está muito mais envolvente e permite que o espectador a acompanhe mais facilmente sem se perder nas explicações longas e complexas que funcionam muito bem nos livros, mas nem tanto no cinema, pelo tempo de película. Ainda que seja uma sequência de vários clímaces e de pouco respiro, a trama consegue segurar-se lá em cima. Há sim um ou outro ponto de explicação teórica, além das costumeiras alfinetadas na igreja católica, mas é a ação que conta a história, o que facilita o envolvimento e a imersão.

Anjos e Demônios também consegue seu ponto de equilíbrio quanto às polêmicas com a igreja e a fé cristã. Há muitas licenças em relação ao livro, à ciência e até mesmo a estrutura e funcionamento da igreja. Isso facilita a separação entre ser ficção e ser um relato documental de como funciona a tal conclave, dentre outras coisas relatadas no longa. É claro que ainda há uma certa acidez quando se trata do passado da igreja, como o comportamento dela em relação aos cientistas que questionavam o seu dogma, mas a crítica se mostra muito mais centrada na instituição do que propriamente na fé cristã, como foi o caso de Da Vinci. O boicote ao filme foi novamente promovido pela igreja, mas parece ter afetado o filme de forma mais positiva do que negativa, já que mais uma vez despertou a curiosidade em relação à trama. Assim, há um certo embate ali entre fé e ciência, mas de uma forma um pouco menos maniqueísta do que anteriormente.

Enfim, Anjos e Demônios é, em diversos aspectos, superior ao seu predecessor. Atuações mais interessantes, trama mais equilibrada, enredo mais envolvente, trilha sonora impecável, direção de arte magnífica e uma pitada de polêmica. Agora é esperar a adaptação do mais novo livro de Brown, O Símbolo Perdido, que não deve demorar a entrar em produção, para que se feche o número mágico de três filmes, como Hollywood adora. Quem sabe, a regra não encontre a sua excessão e o terceiro filme possa ser o melhor de todos?
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