terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Brasilianas - Engenhos e Usinas (1955)


Talvez dos mais didáticos desta série, este filme narra poeticamente a beleza dos velhos engenhos, movidos pelas corredeiras mansas de riachos, onde novamente homens e natureza fazem parte de um único todo. Ao som de “engenho novo bota a roda pra ‘rodá’”, a alegria do engenho antigo funcionando em consonância com todo o ambiente, onde homens cortam a cana, os carros de boi - outro tema recorrente nesta fase de Mauro - carregam a matéria-prima para que o engenho faça sua parte. Contrasta, por outro lado, com as gélidas e mecânicas usinas, onde o tom industrial soa como desafiadora à ordem e a verdadeira vida do homem brasileiro, ligado à terra, à água, a madeira. O metal não faz parte de tudo isso. Ele não é daqui, deste lugar. A indústria também não. “O engenho parou e, com ele, parou a poesia” diz a narração enquanto o vapor parece tomar o lugar intocável do engenho. Cheio de teias de aranha e triste, o velho moinho não funciona mais. Um final triste para o que estritamente bom. Mas eis que em um renascer, a narração se recupera ao dizer que “mas em muitos pontos eles continuam”. Eles, os velhos engenhos, ganham vida como num repente. A música e a alegria fecham o filme com uma positividade de que ainda há esperança. Ainda há, sobretudo, o Brasil surgindo do campo.


Ficha Técnica Título: Brasilianas: Engenhos e Usinas
Duração: 8 min
Ano: 1955
Gênero: Documentário
Cor: PB
Direção: Humberto Mauro
Fotografia e Montagem: Luiz Mauro
Arranjo: Maestro Aldo Taranto
Interprete: Os Cariocas
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