segunda-feira, 13 de julho de 2009

Dossiê Lost: Juliet Burke

Texto de Karen Cristina

Juliet Burke é a personagem de quem as mulheres podem se orgulhar em Lost. Figura feminina emblemática, Juliet é meiga e forte. Representa a determinação e a fragilidade que tornam as mulheres seres tão míticos.


A loira consola, releva, mas sabe atacar. Lida com a vida e com as pessoas com toda sensibilidade. Mas sabe exatamente como sobrepor a determinação de forma firme e indiscutível. Se sacrifica sem remorso e não desiste.

Juliet traz à tona exatamente a flexibilidade feminina que faz com que consigamos cuidar de filhos e enfrentar uma reunião com executivos, por exemplo – a dualidade de manter na alma a leveza e a força, a sanidade e a loucura. E esta característica marcante que Elizabeth Mitchell soube muito bem conferir à personagem garantiu uma enorme empatia com o público.
Como a maioria das mulheres, a conquista pela maturidade e segurança emocional não foi fácil. Jules viu o casamento dos pais ruir ainda criança. Teve um primeiro casamento péssimo com um homem dominador e egoísta.

No auge da carreira, recebeu um convite *que não pode recusar” e acabou na Ilha. Logo o que pareceu seu pior pesadelo: estar presa aos jogos e chantagens de Ben – ou seria de Jacob – acabou sendo o fortalecedor de sua personalidade. Foi moldada pela Ilha, pela dureza de ser uma Outra, que ela mesmo chegou a definir como estressante, e que a fez aprender a lutar pelos seus objetivos a qualquer custo.

Paralelamente, o começo da personagem teve uma repercussão complicada. As ações da médica que parecia fazer qualquer coisa para sair da Ilha a tornaram antipática aos simpatizantes dos losties. Mas Jules travava uma guerra particular com Ben e talvez mais do que sair da Ilha, ela queria se livrar da sua obcecada perseguição. Hoje isto é totalmente compreensível.
Atormentado pela paixão que sentia por Juliet, o líder dos Outros foi capaz de mandar seu primeiro rival, Godwin, para uma armadilha, que ele sabia, hora ou outra, seria mortal.

Com mais uma complicada carga emocional nos ombros, Juliet faria qualquer coisa para se livrar da prisão que sua vida se tornou e forjou uma carapaça de frieza. Aprende que está em guerra. E nesta guerra precisará de aliados.

Aposta em Jack, pedindo que mate Ben na cirurgia. Mata Picket para fazer valer o acordo que garante sua saída da Ilha. E vê sua sorte acabar ao ver a destruição do submarino.

Mais uma vez nas mãos de Ben, Juliet é obrigada a apostar em uma mentira. Mas desta vez, sua força real ressurge de forma definitiva. Ela joga na verdade para vencer o medo que sempre teve de acabar na Ilha. Como pessoa íntegra e coração bom, escolhe o lado que quer ficar.

A aceitação não foi fácil. Tanto com os losties, como com o público a confiança foi uma difícil conquista, que se revelou definitiva. Definitivamente integrada aos losties, se mostra fundamental na resolução das crises. Apazigua e defende. Toma à frente e se envolve.
Mas a trajetória da loira é triste. Por tantas vezes se viu na eminência de sair da Ilha. Por tantas vezes se viu frustrada. E por outras tantas renasceu das cinzas.

Deixada para trás, Jules foi decisiva na sobrevivência pós viagem no tempo. E reconstruiu sua história. Ao lado de James, ela foi feliz por três anos.

A continuidade desta história me dói a alma. Porque ao detonar a Jughead, a personagem feminina que mais lutou pela felicidade parece ter sido sacrificada. Mas a estória só acaba quando termina. E tenho esperança de que ainda há algo preparado para seu ela até o fim de Lost.

Jules faz partos e conserta carros. Atira e ama. Prepara o jantar para o marido e toma decisões que sabe terem repercussão negativa. Conquistou James, o bad boy típico inimigo de relacionamentos, que ao sentir sua perda, a valorizou como nunca. Porque ele sabia que entre ela e Kate, a possibilidade real de felicidade estava ao lado da mulher verdadeira, inteira, completa.

Se conhecemos uma Juliet de caráter duvidoso e desconfiamos de suas intenções por tempos, hoje acho que é praticamente unanimidade a bondade da médica.

O olhar que lança ao submarino que se vai para o continente quando deixa a embarcação no episódio O Incidente simboliza o quanto uma mulher pode deixar ao fazer as escolhas corretas. Corretas para a vida, não melhores para ela. E é aí que Jules se torna a imagem feminina que prefiro tomar como símbolo. Porque indiscutivelmente, Juliet escreve uma estória digna de ser contada.


* referência ao filme Poderoso Chefão

Pitaco do Paulo

Juliet surgiu como uma Outra diferente. Não parecia estar tão certa de suas ações como todos os outros do seu grupo. E, com o tempo, conseguimos saber exatamente o porquê. Mulher forte e de fibra, aos poucos acabou conquistando a confiança do grupo dos passageiros do vôo 815, tocando corações, tomando decisões difíceis e que ninguém mais teria coragem de tomar e, sem dúvidas, se tornou parte deles. Acabou, ela mesma, tornando-se uma sobrevivente, não de um acidente de avião, mas dos percalços e das rasteiras que a vida lhe apresentou. E o sacrifício é a sua redenção.

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