domingo, 30 de agosto de 2009

Heróis

Enquanto começo a escrever esse texto sobre o filme Heróis, de 2009, estou me perguntando se mantenho o padrão do blog em sempre utilizar o título oficial em português ou se cometo um erro a menos do que a distribuidora aqui no Brasil e coloco o nome original. Bem... tomo essa decisão até o final do texto. Fato que é que esse filme, em uma primeira olhada no cartaz dos cinemas tupiniquins pode parecer algo que bebe da fonte de X-Men e até do seriado Heroes. Foi essa a comparação feita ao filme antes mesmo de ser lançado. Mas de fato, o que menos se vê na tela é esse super-heroismo. Se há alguma relação com Heroes, é exatamente por conseguir fazer o que a série ainda não conseguiu, ao inserir personagens com poderes extraordinários em um contexto de vida comum.

A premissa é um tanto simples, mas as reviravoltas no roteiro são bastante intensas. Basicamente, o filme fala de pessoas que foram utilizadas durante a segunda guerra mundial em experimentos para aumentar seu poder psíquico e, desta forma, se transformarem em super-soldados. Elas desenvolvem então algumas habilidades especiais, como localização de pessoas (chamados de Watchers), movimento de objetos (conhecidos como Movers), ou são capazes até de inserir pensamentos na cabeça de outras pessoas ("dom" dos Pushers). Após o fim da guerra, os Estados, e o filme se foca no governo norte-americano, continuam a monitorar essas pessoas na figura das Divisões. Na trama do longa, acompanhamos Nick Gant (Chris Evans), um Mover, que mais encarna o papel do verdadeiro loser americano, vivendo porcamente em Hong Kong, e Cassie Holmes (Dakota Fanning) uma jovem, porém experta Watcher, que se unem para encontrar Kira (Camilla Belle), uma Pusher que pode ser a chave de um evento com proporções gigantescas. E não são somente eles que a procuram. Há uma série de pessoas a buscando, dentre eles Henry Carver (Djimon Hounsou), também Pusher.

A trama é bastante complexa, com reviravoltas e surpresas o tempo todo. Há certos problemas no desenvolvimento do roteiro, o que acaba sendo até compreensível dado o tamanho de pequenos detalhes que ele precisa para funcionar. A direção é muito boa e compensa o baixo orçamento com muita técnica e uma certa dose de ousadia, visto que quebra com algumas convenções e ousa na decupagem e na ambientação. O filme é muito feliz nesta proposta e resulta em uma boa diversão, que acaba complicando demais a certa altura, até tornando a fita atrativa para um segundo olhar. Não faltam correrias, efeitos especiais (que parecem óbvios para a proposta, mas que são muito mais discretos mesmo se comparados a produções televisivas, como o já citado Heroes) e muitas surpresas. A forma como a trama consegue o seu desfecho é bastante interessante também, não sendo nem um pouco previsível.

De fato, é um filme bastante cativante. Não entra na lista dos grandes filmes do cinema mundial, mas consegue ser muito competente e surpreendente na sua proposta. Se tem suas referências - muito menores do que se esperava - em outras produções onde pessoas tem dons e poderes especiais, ele consegue encontrar o seu ponto de originalidade. E como eu havia dito antes, conseguiu inserir a discussão que Heroes ainda não emplacou: de fato, em terra de cego quem tem um olho é rei? Ou melhor, ter habilidades extraordinárias é realmente um dom ou uma maldição? A personagem Cassie consegue ver o seu futuro e sabe o que a espera. Mas no final das contas, ela só quer poder entrar em um túnel qualquer sem saber onde isso vai dar. Porque será que sempre queremos o contrário do que temos?

E quanto ao título da postagem, acho que pode ficar com o nome em português mesmo... Mas faço um menção honrosa ao título original, Push, que no contexto do longa faz muito mais sentido. Espero que um dia haja mais bom senso na escolha de versões nacionais de títulos assim. De heróis mesmo, os personagens não tem nada. Não é o fato de ter uma habilidade que faz o herói. Mas enfim...
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