quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Os Cavaleiros do Zodíaco - The Lost Canvas

Fica mesmo muito estranho a mistura de português e inglês para uma animação japonesa (!), mas a identificação assim fica mais evidente. Sendo assim, vamos ao que interessa, que é a mais nova série animada de um dos maiores ícones animês do mundo, sobretudo aqui no Brasil, onde a série original fez estrondoso sucesso na época de sua exibição na extinta TV Manchete e que até hoje é reprisada por outras emissoras abertas e fechadas. The Lost Canvas estreiou no Japão no ano passado, sendo lançado sempre em DVDs com episódios duplos. No momento, já foram lançados ao todo 8 episódios, ou ovas, e já é possível ver que não é só um sub-produto caça-níquel.

Resumindo, o animê é ambientado na geração anterior dos cavaleiros, na guerra santa citada algumas vezes na Saga de Hades da série clássica. O Deus do Submundo encarna, desta vez, em Alone, irmão de Sasha (que sabemos logo de cara que é a reencarnação de Athena) e amigo de infância de Tenma, que mais tarde se tornaria o Cavaleiro de Pegasus. Dá-se então início a uma nova batalha entre os dois deuses e seus seguidores, cujo final já se tem uma idéia (já que a história é contada por Dokko, último sobrevivente da guerra, nos tempos atuais). Resta sabermos quais os caminhos tomados por cada personagem até chegar ao inevitável final.

Muito pouco da série clássica pode ser vista até aqui. A começar pelo traço, que é completamente diferente entre um e outro, o que deixa claro que os produtores, dentre eles o criador Kurumada, querem que TLC tenha vida própria. Assim, as batalhas, os diálogos e a dinâmica de cena são absolutamente diferentes. Há mais agilidade nas lutas, que se abstêm de muitas explicações e diálogos longos e repetitivos. Muito disso se deve sim à série clássica, onde as grandes explicações já foram dadas. O que é o Cosmo, o que é o sétimo sentido, quais são os golpes de tal cavaleiro, como eles funcionam, o que acontece com o oponente, o que é o Santuário, quem é Athena, como são organizados os cavaleiros... tudo isso já foi explicado milhares de vezes e aqui pode-se dar mais espaço à ação e ao desenrolar da história.

Aliás, outro ponto alto de The Lost Canvas é o narrativa, trabalhada de forma fantástica e muito mais envolvente e orgânica. Cada cavaleiro tem aqui o seu valor e sua função, a história tem diversos núcleos narrativos (ainda que sempre aborde um de forma mais específica), sendo que cada personagem tem seu espaço para crescimento. Dos cavaleiros de bronze, ao contrário do que se poderia esperar, apenas Pegasus e Unicórnio foram apresentados de fato, sendo que os outros quatro cavaleiros que tomaram papéis principais anteriormente sequer foram apresentados. Assim, fica a dúvida se Cisne, Dragão, Fênix e Andrômeda terão papéis fundamentais também nesta saga. Obviamente, quem acompanha o mangá pode ter respostas mais completas para esta questão, mas preferi não ver nenhum spoiler sobre o assunto e, portanto, minha única fonte são mesmo os episódios.

Enfim, o saldo é bastante positivo. Mesmo sendo fã da série clássica, de forma até mais sentimental do que racional, sempre vi problemas sérios em toda sua trajetória, tais como explicações exageradas, furos no roteiro e traço variante entre bom e péssimo. Felizmente, nenhum dos tais problemas surgiram até aqui em The Lost Canvas e tomara que siga assim. O animê é interessante, artisticamente muito belo e um prato cheio que expande sensivelmente a mitologia acerca do universo criado nas páginas do mestre Kurumada. Vida longa a Athena!

Imagens retiradas do site http://www.cavzodiaco.com.br

Abaixo, a abertura em português:


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