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segunda-feira, 15 de agosto de 2011

[ Review ] Saint Seiya: The Lost Canvas - 2ª Temporada

Antes de falar desta segunda temporada, faço aqui uma consideração: da mesma forma que a Flashstar Filmes teve que fazer, esta resenha da segunda temporada acompanha o nome oficial da série aqui no Brasil: Saint Seiya: The Lost Canvas. Tal mudança foi uma exigência do estúdio que produz o anime no Japão. Portanto, ainda que, para nós, brasileiros, tudo isso ainda se trate de uma espécie de prelúdio do bom e velho Cavaleiros do Zodíaco, é justo que possamos estar em consonância com a distribuição no país, respeitando os apontamentos de quem produz. A primeira temporada, da qual já tratei aqui no blog, permanece com o nome clássico, mas acredito que agora, até o fim, se mantenha o nome inteiro original.

Isto posto, posso agora tratar desta nova temporada, ainda que produtos japoneses, sobretudo animes, tem uma lógica de temporadas um pouco diferente dos americanos. Com 13 episódios lançados no Japão diretamente em DVD e em Blu-Ray, assim como a primeira temporada, acompanhamos a jornada de Tenma, cavaleiro de bronze que defende a constelação de Pégaso, acompanhado por Yuzuriha, de Grou e Yato, de Unicórnio, até o Castelo de Hades. Nesta jornada, encontram muitos inimigos poderosos, e também muitos aliados bastante importantes nessa caminhada. Dentre eles, Manigold, de Câncer e El Cid, de Capricórnio, ambos cavaleiros de ouro bastante poderosos. Também entendemos um pouco melhor a relação entre Sage, o Grande Mestre do Santuário e Hakurei, seu irmão gêmeo e antigo cavaleiro de Altar. A trama, assim, se desenvolve não só centrada na missão do trio liderado por Tenma, protagonista da história, mas também e principalmente na jornada indivisual de cada um destes personagens.

Neste ponto, coloca-se então algo bastante latente em todas as produções deste universo: o aprofundamento de cada um dos personagens, focalizando o seu momento atual e explicando cada uma de suas ações e pensamentos por meio de suas experiências, referências e toda a sua bagagem anterior. A intempestividade de Manigold, característica também encontrada em Máscara da Morte (cavaleiro de Câncer dos tempos atuais) é bastante instigante quando o personagem está em busca de justiça de uma maneira bastante particular. Da mesma forma, o ser perfeccionista de El Cid se mostra na sua busca pelo golpe ideal. Fazendo novamente um paralelo com a série clássica, como ambos os referentes destes cavaleiros tomaram papéis de antagonismo (coincidentemente, enfrentando Shiryu), não se pode mostrar como cada um deles entende o que é ser um cavaleiro de Athena. O mesmo pode ser notado em Albafica de Peixes na primeira temporada, já que Afrodite também foi visto somente como um vilão. Deste modo, pode-se ver algo aqui que não fora visto anteriormente: a importância dos cavaleiros de ouro na hierarquia dos protetores da deusa. Se na séria antiga parecia que somente 5 dos 88 cavaleiros defendiam verdadeiramente o juramento e a razão de existirem, aqui todos tem a sua parcela em uma grande guerra. Vimos parte da devoção dos cavaleiros de ouro somente na Saga de Hades dos tempos modernos, mas a série clássica ficou marcada exatamente pela chamada Batalha das 12 Casas, onde os dourados eram, de fato, os inimigos a serem vencidos.

Algo que chama a atenção e que talvez possa incomodar um pouco é forma como a narrativa se desenvolve para os demais personagens. Não há grandes batalhas entre cavaleiros de prata ou bronze contra espectros "normais". Quando estes aparecem, são ambos dizimados pelo poder infinito do inimigo, tanto de um lado como do outro. A trama entre El Cid e seus aprendizes poderia render ótimos momentos onde eles pudessem participar ativamente da guerra santa. Chegaram a ser apresentados, cada um com suas personalidades bem iniciadas, mas tudo se vai quando todos são destruidos com um único ataque de uma grande divindade. O mesmo ocorreu na primeira temporada com os postulantes a cavaleiro treinados por Hasgard, de Touro. Afinal, haveria espaço para nos apegarmos a mais personagens que, teoricamente, seriam fracos, mas que cresceriam e se tornariam grandes ídolos, como na série clássica, onde Seiya era, de fato, protagonista, mas outros tantos personagens também recebiam atenção e acabavam roubando preferência do público. Como exemplo, quantos tinham como cavaleiro preferido Hyoga ou Ikki? Cada qual, à sua maneira, tendo um carisma e uma tragetória muito interessante, dava corpo a um grupo de cavaleiros que buscava um objetivo comum.

Em The Lost Canvas, o papel de protagonismo momentâneo cabe a estes cavaleiros de ouro citados anteriormente, o que é bom, mas como o ciclo de cada um acaba com a sua redenção e morte, não há tempo para se torcer para que eles cheguem ao final junto aos demais. Ao mesmo tempo, Yato jamais atingiu o carisma e o desenvolvimento próprio para que se torça realmente por ele. Yuzuriha é ainda pior, já que ninguém liga que ela tenha conquistado sua armadura de Grou (?), nem que tenham sido treinada por Hakurei, ao lado de Shion. Ambos, de fato, assumem papel de ajudantes (no pior sentido) do protagonista, aqueles que ninguém liga se estão vivos ou mortos. Até porque, graças a informações que temos dos tempos atuais, sabemos que nenhum deles sobrevive ao final desta Guerra Santa, já que somente Dokko e Shion sobram. Sinto falta, portanto, de algo que possa nos remeter a algumas das imagens clássicas de nossa infância que justificavam lembrarmos dos Cavaleiros do Zodiaco. No final das contas, a escolha da produtora japonesa em não permitir a tradução aqui no Brasil acabou vindo a calhar. Não faz mais sentido pensar em CDZ quando, no final das contas, somente um pode ser entendido como protagonista. Os demais estão lá para facilitar o seu caminho, não para chegarem junto com ele ao final.

Contudo, tudo isso talvez seja sinal de um certo saudosismo, ou uma estranha nostaugia. Entendo que a sensação que tive lá com meus 10, 11 anos de idade ao assistir cada um dos cavaleiros de bronze serem massacrados para, depois de tudo, vencerem com apenas um golpe jamais retornará. E, abrindo os olhos para este novo momento, posso vislumbrar coisas que não me importavam naquele momento, onde The Lost Canvas supera CDZ, tais como a trama principal, que é muito melhor articulada entre os ambientes e personagens, e as batalhas, que mesmo mantendo sempre aquela mesma expressão "ele parou meu golpe mais poderoso com apenas uma das mãos", abre espaço para ótimas possibilidades narrativas. Não poderia imaginar a solução dada para o desfecho da batalha entre El Cid e Oneiros, com a ajuda da flecha de Sagitário lançada por Sísifo. Frustação mesmo foi o prometido embate no final da temporada, com a marcha dos cavaleiros até o Castelo de Hades, com todos eles voltando pra casa sem nem ao menos encontrar ninguém. Neste ponto, senti o mesmo que Kardia, o cavaleiro de Escorpião, que parece ser um dos personagens centrais da próxima temporada, juntamente com Dégel, de Aquário.

Como não li o mangá, nem mesmo fui atrás dos resumos para saber como a saga continua (para não perder a sensação se surpresa a cada episódio do anime), não sei se conheceremos os cavaleiros de Dragão, Cisne, Andrômeda ou Fênix desta era. Também não sei se outros poderão se mostrar importantes a ponto de nos importarmos com eles. Mas espero que a série, que se mostra bastante positiva em muitos aspectos, como tramas, cenários e relações entre personagens, possa buscar um pouco mais do carisma que sempre foi o ponto mais forte da série antiga.

Imagens por: http://www.cavzodiaco.com.br/

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Os Cavaleiros do Zodíaco - The Lost Canvas

Fica mesmo muito estranho a mistura de português e inglês para uma animação japonesa (!), mas a identificação assim fica mais evidente. Sendo assim, vamos ao que interessa, que é a mais nova série animada de um dos maiores ícones animês do mundo, sobretudo aqui no Brasil, onde a série original fez estrondoso sucesso na época de sua exibição na extinta TV Manchete e que até hoje é reprisada por outras emissoras abertas e fechadas. The Lost Canvas estreiou no Japão no ano passado, sendo lançado sempre em DVDs com episódios duplos. No momento, já foram lançados ao todo 8 episódios, ou ovas, e já é possível ver que não é só um sub-produto caça-níquel.

Resumindo, o animê é ambientado na geração anterior dos cavaleiros, na guerra santa citada algumas vezes na Saga de Hades da série clássica. O Deus do Submundo encarna, desta vez, em Alone, irmão de Sasha (que sabemos logo de cara que é a reencarnação de Athena) e amigo de infância de Tenma, que mais tarde se tornaria o Cavaleiro de Pegasus. Dá-se então início a uma nova batalha entre os dois deuses e seus seguidores, cujo final já se tem uma idéia (já que a história é contada por Dokko, último sobrevivente da guerra, nos tempos atuais). Resta sabermos quais os caminhos tomados por cada personagem até chegar ao inevitável final.

Muito pouco da série clássica pode ser vista até aqui. A começar pelo traço, que é completamente diferente entre um e outro, o que deixa claro que os produtores, dentre eles o criador Kurumada, querem que TLC tenha vida própria. Assim, as batalhas, os diálogos e a dinâmica de cena são absolutamente diferentes. Há mais agilidade nas lutas, que se abstêm de muitas explicações e diálogos longos e repetitivos. Muito disso se deve sim à série clássica, onde as grandes explicações já foram dadas. O que é o Cosmo, o que é o sétimo sentido, quais são os golpes de tal cavaleiro, como eles funcionam, o que acontece com o oponente, o que é o Santuário, quem é Athena, como são organizados os cavaleiros... tudo isso já foi explicado milhares de vezes e aqui pode-se dar mais espaço à ação e ao desenrolar da história.

Aliás, outro ponto alto de The Lost Canvas é o narrativa, trabalhada de forma fantástica e muito mais envolvente e orgânica. Cada cavaleiro tem aqui o seu valor e sua função, a história tem diversos núcleos narrativos (ainda que sempre aborde um de forma mais específica), sendo que cada personagem tem seu espaço para crescimento. Dos cavaleiros de bronze, ao contrário do que se poderia esperar, apenas Pegasus e Unicórnio foram apresentados de fato, sendo que os outros quatro cavaleiros que tomaram papéis principais anteriormente sequer foram apresentados. Assim, fica a dúvida se Cisne, Dragão, Fênix e Andrômeda terão papéis fundamentais também nesta saga. Obviamente, quem acompanha o mangá pode ter respostas mais completas para esta questão, mas preferi não ver nenhum spoiler sobre o assunto e, portanto, minha única fonte são mesmo os episódios.

Enfim, o saldo é bastante positivo. Mesmo sendo fã da série clássica, de forma até mais sentimental do que racional, sempre vi problemas sérios em toda sua trajetória, tais como explicações exageradas, furos no roteiro e traço variante entre bom e péssimo. Felizmente, nenhum dos tais problemas surgiram até aqui em The Lost Canvas e tomara que siga assim. O animê é interessante, artisticamente muito belo e um prato cheio que expande sensivelmente a mitologia acerca do universo criado nas páginas do mestre Kurumada. Vida longa a Athena!

Imagens retiradas do site http://www.cavzodiaco.com.br

Abaixo, a abertura em português:


sexta-feira, 3 de julho de 2009

Os Cavaleiros do Zodíaco

Com uma nova onda de CDZ, ou Saint Seiya se aproximando agora que o novo animê, The Lost Canvas, baseado no mangá de mesmo nome, estreiou no japão, vale a pena revisitar esta que é uma das melhores e mais cultuadas séries japonesas de todos os tempos aqui no ocidente.

Os Cavaleiros do Zodíaco é um animê (ou animação japonesa, com traços e movimentos característicos de tantas outras produções), que mistura mitologias e o bom e velho quebra-pau dos heróis da terra do sol nascente. A história se baseia principalmente na mitologia grega, onde Deuses são os grandes responsáveis pela terra, pelos oceanos, pelos céus, etc. A Deusa Athena renasce a cada geração quando um grande mal ameaça a terra. Somam-se a ela os seus cavaleiros, representantes das 88 constelações, dentre elas as doze do zodíaco ocidental. Estes guerreiros são hierarquizados em três níveis: os de ouro, que defendem os 12 signos do zodiaco, ou de prata e os de bronze.

Basicamente, na saga clássica, temos o renascimento da Deusa Athena nos dias atuais. Com a traição de um dos cavaleiros de ouro, a criança, reencarnação da divindade, precisa ser levada por um outro cavaleiro dourado para fora do santuário. Este morre na tentativa, consegue salvar Athena e a entrega a um senhor que fazia turismo pelo santuário da Grécia. O cavaleiro traidor, Saga de Gêmeos, na figura de grande mestre do santuário, condena aquele que resgatou Athena, o acusando de traidor do santuário, ocultando o sumiço da criança. Longe do santuário, Saori Kido, a reencarnação de Athena, cresce como uma garota normal até descobrir o seu verdadeiro destino. Com o santuário liderado por Saga a procura, cabe a cavaleiros de bronze, os menores na hierarquia desses guerreiros, protege-la e provar que ela é a verdadeira divindade enviada pelo Olimpo para trazer a paz na terra.

A trama parece um tanto quanto intrincada, mas a linguagem animê trata de explicar detalhadamente, a cada fala de personagem, exatamente cada ponto da história. CDZ é, basicamente, uma história de superação. Desde os primeiros embates que vemos, sempre é uma luta desigual entre cavaleiros de bronze contra os maiores guerreiros da categoria. Ainda assim, superando o limite de seu cosmo, eles ultrapassam o poder de seus inimigos e os vencem, mostrando ser a alma humana e a crença em Athena maiores do que qualquer força. É uma história também sobre amizade, sobre acreditar no outro e em si mesmo. As dificuldades que os cinco personagens principais, Seiya de Pégaso, Shiryu de Dragão, Shun de Andrômeda, Hyoga de Cisne e Ikki de Fênix, chegam ao limite do intransponível e é somente com esse poder de superação que eles vencem os obstáculos. "Não posso me dar por vencido" é a frase de Seiya e é a mensagem que ele deixa.

Outras tramas seguem, como a Saga de Asgard, onde os mesmos cinco cavaleiros de bronze enfrentam agora guerreiros protegidos pelas estrelas e por entidades da mitologia nórdica, ou a Saga de Poseidon, onde eles enfrentam o deus dos mares. A última e mais dramática batalha é a que acontece a cada 200 anos, quando Hades, senhor do mundo dos mortos tenta tomar o poder da terra. Mais uma vez, os grandes guerreiros de Athena sõa confrontados com poderes inimagináveis através da Terra, do Inferno e dos Campos Elíseos para vencer um dos mais poderesos deuses dos tempos mitológicos. Mas enfim, poderemos detalhar cada uma dessas jornadas em postagens individuais, com mais calma, em um outro momento.

Os Cavaleiros do Zodíaco marcou uma geração. Antes mesmo do fenômeno Dragon Ball, era o grande hit no começo dos anos noventa, principalmente quando entrou na TV aberta brasileira pela extinta TV Manchete. Os bonecos eram ítens de desejo coletivo, ainda que muito caros para os padrões tupiniquins, as figurinhas eram ítens de colecionadores e toda e qualquer porcaria ligada a saga dos cinco cavaleiros era disputada na briga. Cada episódio era composto de batalhas intensas, uma violência que hoje seria chamada de politicamente incorreta, muita explicação da narrativa e muita mitologia também. Cada armadura representava uma criatura ou objeto mitológico, cada qual com a sua lenda e sua inter-relação com as demais. Somando-se ás vestes sagradas, cada cavaleiro tinha poderes inimagináveis para seres humanos comuns, possíveis somente pela sublimação do cosmo, energia vital que tinha origem o próprio universo, presente em tudo e em todas as coisas. Meteoros, relámpagos, chamas e frio em zero absoluto são somente alguns deles, sempre ligados à característica da armadura e da constelação sob a qual o cavaleiro nascia e se desenvolvia. Ainda que, no fundo, sempre sabíamos que eles conseguiriam alcançar o impossível, a tensão de cada batalha era cativante, e ainda o é.

Talvez nunca uma série animada, cuja narrativa se desenvolvia por dezenas de episódios, tenha conquistado tantos fãs. A série clássica possui 114 episódios, que somados aos 31 da Saga de Hades completam 145, sem contar os médias e longas metragens da franquia. Orgulho é ter visto todos. Quando eu era criança, um troféu. Hj, uma boa lembrança de um ótimo tempo. Que venha The Lost Canvas, tal como a Fênix, fazendo renascer a fascinação que os Meteóros de Pégasus sempre causaram.
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