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quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Star Wars - The Clone Wars - 1ª Temporada

Há alguns dias, falei aqui no PIS sobre o longa-metragem em animação lançada nos cinemas em 2008, situado entre os episódios 2 e 3 da hexalogia clássica dos cinemas. Se você não viu a crítica, leia antes de prosseguir com esse texto.

Sendo uma sequência direta do longa, Star Wars, a série, continua a contar novas batalhas e acontecimentos ocorridos durante a grande guerra clônica, sempre citada no universo Star Wars, inclusive na trilogia original. Depois do sequestro do filho de Jabba contado no filme, vemos nos 22 episódios desta primeira temporada o desenvolvimento da relação entre Anakin e Ahsoka, além de explorar um pouco mais personagens já vistos na série animada em 2D, como Ventress e Fisto. Vemos também como o General Grievous comanda seus subalternos e várias relações hierárquicas tanto do lado da República quanto entre os Separatistas. Enfim, há espaço para que o universo expandido da série, realmente possa ser explorado.

Já era promessa que o longa seria só um season premiere da série, mas a recepção ruim que obteve tanto entre os fãs quanto com a crítica colocou em xeque o futuro da franquia. Felizmente, a série realmente mostrou o propósito do projeto como um todo, e somados, longa e primeira temporada, conquistam um resultado muito expressivo. Ainda que haja grandes reviravoltas ou surpresas, a série é bastante competente tecnicamente e até narrativamente.

Não há uma sequência absoluta entre os eventos narrados. Alguns episódios são continuações um do outro, mas no geral, são eventos bastante isolados. Assim, quando termina-se de contar o que aconteceu na invasão separatista a um planeta, no episódio seguinte estamos no meio de outra batalha, em outro canto do universo, com outros personagens de cada lado. Essa característica dá um dinamismo interessante para essa guerra de proporções gigantes e, o mais interessante, o ponto de ligação do lado da república são... os clones! Agora eles tem rosto, ainda que seja o mesmo, mas cada qual apresenta características bastante diferentes uns dos outros, físicas e psicológicas. assim, temos soldados cabeludos e outros de cabelo raspado, ou ainda usando barba e outras pequenas diferenças. Vemos também que eles são bastante obedientes, respeitando sempre as decisões de seus superiores, sendo estes clones, jedis ou senadores. É claro que nesse tipo de universo há um outro traidor, mas no geral eles parecem muito bem criados para serem massa de manobra, como eles mesmos assumem em certo episódio. Ao confirmar a morte de um colega, ou "irmão", um deles pede para Ahsoka não se preocupar, pois era pra isso que eles haviam nascido, mesmo sem esconder um sentimento pelo seu semelhante.

Assim, os clones finalmente tiram seus elmos e mostram sua humanidade, que são agentes pensantes e que tem sentimentos, ainda que nem tentem se desligar da guerra ou de sua função, do seu destino. Talvez essa seja a grande virtude desta primeira temporada e espero que isso se mantenha, ainda que entenda que o foco muda em cada momento do seriado.

Sinto que a mudança pela qual Anakin passa ainda é muito incipiente e não dá para acreditar que o ser mais altruísta que já empunhou o sabre de luz possa se tornar aquele que é sem dúvida o símbolo máximo de Star Wars: Darth Vader. Certamente, com a mesma idade de Luke quando o enfrentou, Anakin é muito mais honrado e destemido que seu filho. Ainda que inconsequente e, as vezes, desobediente, parece que ele estaria disposto a entregar tudo o que tem, inclusive sua vida, pelo que acredita e sua transformação parece incoerente. Talvez outros eventos possam abalar sua honra e suas crenças para que ele se encontre naquela posição de questionamento do episódio III da nova trilogia. Quem sabe até o destino de Ahsoka, sua aprendiz e com quem desenvolveu um grande laço afetivo já nesta primeira temporada faça parte dessa transformação, já que certamente ela não tem um destino feliz.

No mais, senti falta de um envolvimento maior de outros personagens consagrados, como o Conde Dookan e, principalmente Mestre Yoda. O primeiro apareceu sempre como um mentor, ou um grande líder, mas sua maior atividade foi no longa. O segundo teve um episódio centrado em si e em suas habilidades, mas também apareceu mais como holograma dando ordens do que efetivamente em ação. Creio que Lucas precisa explorar um pouco mais essas figuras que são bastante icônicas do universo que ele criou.

Para a próxima temporada, que já se inicia no dia 02 de outubro, há uma promessa de o foco estar bastante voltado aos Caçadores de Recompensa, figurinhas carimbadas no universo de Star Wars e que já mostrou um potencial bastante imponente no season finale da primeira temporada, com Cad Bane. Tomara mesmo que possamos ter 4 ou 5 temporadas como Lucas prometeu e que as Guerras Clônicas, que estão longe de se esgotar enquanto tema, sejam realmente épicas como todos sempre soubemos, mas sem nunca te-las visto.

sábado, 26 de setembro de 2009

Star Wars - The Clone Wars

Finalmente, depois de quase um ano, Star Wars é assunto aqui no PIS. Porque nenhum blog que fala de entretenimento e cultura pop que se preze deve se abster de falar do universo que se tornou o ícone maior dos nerds. E o debute no assunto fica por conta de Star Wars - The Clone Wars, longa-metragem em animação lançado nos cinemas em 2008 pela Lucas Arts como parte inicial de uma nova empreitada da franquia, que mais tarde seria seguida na TV.

Definitivamente, o filme tem dois públicos distintos. O primeiro é obviamente os fanáticos por tudo que a marca Star Wars representa. O outro é o público infantil, para quem Lucas parece pretender fazer a iniciação no seu universo. Desta forma, deve-se analisar o longa por meio desses dois centros.

Na trama, que não é lá muito bem elaborada como se poderia esperar, o filho de Jabba é sequestrado e cabe à República fazer o resgate do infante Hunt para que desta forma tenham livre acesso à área controlada pela meleca gigante. Não é um roteiro primoroso, até porque não parece fazer muita diferença na mitologia toda criada se pensarmos de forma isolada. O longa não deve ser pensado como um produto único e sim como um episódio de algo maior, que são as tais guerras clônicas que terão sequência no seriado de TV. De certa forma, o desenvolvimento da trama, das relações entre personagens novos e antigos e tudo mais, só começa aqui para ser continuado mais tarde.

Se olharmos com os olhos nerds, o longa é uma expansão do multiverso criado por Lucas. Pode-se entender um pouco mais a estrutura familiar e hierárquica de Jabba, conhecer máquinas e armas de guerra, tanto pelo lado da República como pelo lado dos separatistas, entre outras coisas e, obviamente, a principal inserção do filme, que é a aprendiz de Anakin Skywalker, Ahsoka Tano, que será figura central do filme e da série. Talvez até o seu destino que será finito (já que ela não faz parte deste universo na terceira parte da segunda trilogia) possa até ser um dos motivos para levar Anakin a questionar o seu código e suas convicções acerca do estilo de vida Jedi. Enfim, se houve uma certa decepção com o longa por parte da crítica e dos fãs, é porque se esperava um episódio "2.5" ou algo assim, quando na verdade esse meio termo entre os episódios II e III será dado por um amálgama de episódios, cujo longa é apenas o season premiere. Aliás, não perca aqui mesmo no PIS a crítica da primeira temporada.

Já se pensarmos pelo lado da infantilização da história, talvez o longa seja um pouco mais feliz. Exatamente por não ter uma trama intrincada ou complexa, pode ser palatável para os mais jovens que em seguida verão os mesmos personagens na TV e, quem sabe, se tornarem uma nova leva de fãs da hexalogia e, principalmente, da trilogia clássica que não é tão acessível como era antigamente, já que não passa com tanta frequência na TV aberta aqui ou nos Estados Unidos. Os personagens podem nos parecer irritantes, principalmente Ahsoka, mas ela tem um potencial de apelo com as crianças e, mais especificamente ainda, com as meninas. Sim, porque em um universo dominado por homens (ou personagens do sexo masculino), como Luke Skywalker, Darth Vader, Mestre Yoda, Mace Windu, dentre outros, e uma personagem Jedi central pode cativar esse público. É o grande acerto do longa, se pensarmos em marketing e na tal cauda longa, de Chris Anderson, já que busca expandir seus domínios.

Enfim, como filme, só e somente só, The Clone Wars não funciona pelos vários motivos já citados. Como peça fundamental no universo da franquia também não. Mas talvez nenhuma dessas parece ter sido a intenção de George Lucas. É um início de uma nova série, para um novo público, com uma nova proposta. É um produto periférico que nunca será fechado e depende de tudo o que já foi estabelecido em todos os sentidos: enredo, identificação com os personagens, fascínio com os sabres de luz, etc, bem como do que ela mesma se transformará com os episódios de 20 minutos na TV. Desse modo, só poderá receber um veredito sobre sua relevância aos créditos do episódio final, que pode ter até 5 temporadas, segundo o próprio produtor. Esperemos que ele saiba onde tudo isso vai terminar. Mais do que nunca, que a Força esteja com ele.
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