domingo, 5 de julho de 2009

A Era do Gelo 3

Infelizmente, não vou poder nessa postagem falar de sensações desse filme em 3-D, já que morar no interior tem lá suas desvantagens e uma delas é não ter a tecnologia por aqui. De qualquer forma, A Era do Gelo 3, sequência da elogiadíssima franquia de animais pré-históricos pós dinossauros, é fantástico. Aliás, é exatamente apostando no encontro inusitado entre gerações evolutivas que temos, talvez, o melhor dos três filmes. Com muita competência, Carlos Saldanha, brasileiro a frente do projeto desde o início, conseguiu se livrar da maldição da trilogia e teve melhor sorte que Shrek Terceiro, por exemplo.

Basicamente, a história se foca em três pequenas sub-tramas que nos são apresentadas logo de início: a espera do bebê de Manny (dublado no Brasil por Diogo Vilela) e Ellie (Claudia Gimenes), Cid (Tadeu Mello) procurando uma nova família e Diego (Marcio Garcia) buscando resgatar seu instinto selvagem que parece ter se perdido com a convivência em bando familiar. Por esses três caminhos, eles embarcam em uma aventura para resgatar a preguiça que conseguiu se tornar mãe adotiva de três filhotes de tiranossauro, por um mundo perdido (sem trocadilho com o filme de Spielberg), totalmente escondido e quase isolado de tudo o que ocorre na superfície. Mais do que na aventura anterior, o bando se encontra em um ambiente muito diferente, com flora tropical e criaturas muito mais perigosas. O tiranossauro é o menor dos problemas do grupo. Nesta jornada encontram um dos melhores personagens de toda a história da animação recente, a doninha paranóica Buck (dublado por Alexandre Moreno), além de sempre cruzarem com Scrat, agora acompanhado de uma parceira - ou seria rival? - na sua eterna busca pela noz perdida.

O filme se permite explorar todos os pontos fortes detectados nos anteriores. Cada qual com sua história particular, nos permite explorar e ampliar o universo de todos eles. Sid já é menos desprezado, Manny mostra fraquezas ao se sentir inseguro quanto a chegada do bebê, os irmãos de Ellie sempre contribuindo para os momentos cômicos na medida certa e, claro, os novos personagens, os dinossauros, que mesmo estilizados, como a animação exige, ainda carregam aquela fascinação trazida pelo primeiro Jurassic Park. A expectativa pela presença do grande vilão realmente é tensa, os velociraptors dão muita dor-de-cabeça e a relação um pouco conturbada entre Cid e sua nova família como plot para a aventura foi muito bem sacada. A animação está bem mais complexa, com texturas de pêlo, da flora e dos grandes dinossauros muito mais tátil, mesmo na projeção tradicional. Isso usando muito menos dinheiro que Pixar e Dreamworks.

Realmente o filme é um grande deleite. Na minha modesta opinião, entra no rol das melhores animações 3-D já produzidas pela indústria do cinema. Aliás, dos melhores filmes de Hollywood nos últimos tempos, grande parte deles é em animação. Inclusive, se persarmos somente nos que foram construídos em cima de roteiros originais, as animações estão realmente dando um show de criatividade, roteiro e direção. Em um momento de adaptações e refilmagens, um pouco de originalidade criativa sempre é um passo adiante.
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