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terça-feira, 29 de janeiro de 2013

[ Dissertação ] A caracterização da produção de materiais didático-educativos audiovisuais para educação superior a distância na UFSCar


Trabalho original:
Dissertação de mestrado ao Programa de Pós-Graduação em Imagem - PPGIS - e Som da Universidade Federal de São Carlos - UFSCar - para obtenção do título de Mestre em Imagem e Som

Autor:
Paulo Roberto Montanaro

Referência bibliográfica:
MONTANARO, P. R., A caracterização da produção de materiais didático-educativos audiovisuais para educação superior a distância na UFSCar. 2010. Dissertação (Mestrado). Universidade Federal de São Carlos, São Carlos, 2013.

Resumo:
Esta pesquisa tem como objetivo o levantamento de dados sobre a produção de conteúdos audiovisuais destinados a disciplinas de graduação na modalidade de Educação a Distância. São mapeados, assim, cada um dos elementos produzidos, seu sistema de produção e os atores que trabalham, direta ou indiretamente, na construção destes materiais. Para tanto, buscou-se traçar um pequeno histórico acerca do desenvolvimento de diversas outras produções audiovisuais ao longo dos anos que se passaram, para que se conheça o caminho político, estético e linguístico que estas realizações tiveram até o presente momento. Da mesma forma, também é desenhado um panorama sobre o entendimento do sistema aplicado na universidade, por meio do projeto estatal chamado Universidade Aberta do Brasil (UAB), bem como a sua estruturação em torno de uma secretaria específica, a Secretaria Geral de Educação a Distância (SEaD), dentro da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) – que também é fundamental para que se possa entender macroscopicamente questões pedagógicas, técnicas e sistemáticas do material ali produzido. Deste modo, a criação de uma equipe audiovisual dentro da estrutura desta secretaria se mostra essencial para o projeto de que o processo de ensino e aprendizagem proposto pelo projeto, visto que a utilização de diversas mídias é pressuposto básico neste sistema. É parte desta pesquisa a evolução da formação da equipe, sua formação e as funções desempenhadas por cada de seus elementos são de extrema importância para o entendimento das pretensões dos cursos de graduação ali criados e, também, a evolução em seu processo de produção, procedimentos e resultados. Isto posto, entende-se a produção audiovisual focada na Educação a Distância como parte de um sistema maior e complexo de conteúdos e materiais didáticos, sendo definidos e delimitados pela colaboração entre os diversos agentes envolvidos no processo, bem como limitações e características técnicas do ambiente, tempo de produção e políticas internas do projeto político-pedagógico da instituição e dos cursos como um todo.

Arquivo em PDF (Disponível no repositório digital da Biblioteca Comunitária da UFSCar):

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

[ Artigo ] A cultura da convergência e o diálogo na ead: encontros e possibilidades na leitura de Bakhtin, Vygotsky e Jenkins


Artigo Original:
Simpósio Internacional de Educação a Distância - SIED

Autores:
Paulo Roberto Montanaro, Cláudia Raimundo Reyes

Este trabalho pretende problematizar as questões de diálogo e comunicação no contexto da educação a distância, ou EaD, principalmente pautando-se na questão da produção de conteúdos didático-educativos e na construção de toda a interface entre docentes, alunos, tutores e demais atores do processo de ensino-aprendizagem nesta modalidade.

Para tanto, se apóia na articulação de pensamentos relacionados aos conceitos do Círculo de Bakhtin no que tange a linguagem e o processo; de Vygotsky especialmente o desenvolvimento das funções psíquicas superiores; e de Henry Jenkins, os conceitos de narrativa transmídia e de convergência midiática.

Pretende-se assim traçar algumas considerações sobre como as transformações decorrentes de uma revolução tecnológica em voga cria e recria novas possibilidades e potencialidades na educação – principalmente a EaD enquanto efeito colateral da inserção das mídias digitais no cotidiano do mundo contemporâneo.

Arquivo em PDF:

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

[ Artigo ] A construção de objetivos interativos em três dimensões para EaD

Artigo original:
Simpósio Internacional de Educação a Distância - SIED 2012

Autores:
Diogo Augusto Gonçalves, Paulo Roberto Montanaro, Joice Lee Otsuka, Gláuber Lúcio Alves Santiago, Maria Teresa Mendes Ribeiro Borges

Este trabalho visa analisar algumas das primeiras experiências da equipe audiovisual da Secretaria Geral de Educação a Distância - SEaD - da  Universidade Federal de São Carlos - UFSCar - na utilização de ferramentas de elaboração de objetos interativos em três dimensões para a construção de conteúdos didático-educativos, aplicados especificamente na educação a distância. Para tanto, serão estudados os processos de produção de dois jogos. Um deles consiste em uma aplicação  para elaboração de acordes, a ser aplicado no curso de Educação Musical. O segundo, por sua vez, é determinado como um laboratório de química virtual,  da área  de  química  analítica  para os cursos de graduação em Engenharia Ambiental e Tecnologia Sucroalcooleira. É objetivo, portanto, problematizar os conteúdos criados (ou em desenvolvimento) com essa tecnologia e as implicações da escolha do 3D e da interatividade dela decorrente no que tange, sobretudo, o avanço do uso das mídias e recursos digitais na educação.

Arquivo em PDF:

Captura da tela inicial do jogo "Uma Odisséia de Acordes"
para Educação Musical (Prof. Glauber Santiago)

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

[ Artigo ] Livro em publicação digital interativa para EaD

Artigo Original:
Simpósio Internacional de Educação a Distância - SIED 2012

Autores:
Daiany Zago, Paulo R. Montanaro, Joice Otsuka.

No contexto de uma verdadeira revolução das chamadas tecnologias de comunicação e da informação (as TICs), este trabalho tem como objetivo apresentar a importância da evolução do material didático interativo a partir das novas tecnologias, dentre eles os dispositivos móveis  – tais como smartphones, tablets e tocadores de vídeo e música digital - para a educação a distância. Em meio a esta verdadeira revolução tecnológica e de linguagem nos meios de comunicação, a Secretaria Geral de Educação a Distância - SEaD na UFSCar, por meio de sua Coordenadoria de Inovações Tecnológicas na Educação - CITE - iniciou, no ano de 2012, um processo de pesquisa em desenvolvimento de livros interativos criados enquanto objetos de aprendizagem. Assim, é importante refletir sobre esta linguagem em  constante desenvolvimento, bem como a aplicação em um processo de produção de materiais originais e a adaptação de livros já editados pela universidade, sempre direcionados à educação a distância.

Arquivo em PDF:


segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

[ Artigo ] Desenvolvimento de jogos educacionais abertos

Artigo original:
Workshops do Congresso Brasileiro de Informática na Educação - CBIE

Autores:
Joice L. Otsuka, Delano M. Beder, Paulo R. Montanaro, Ivan Z. Rocca, Alan Ghelardi


As tecnologias digitais estão cada vez mais presentes no cotidiano da sociedade contemporânea. Nesse contexto, é essencial que a educação e os modos de ensinar sejam repensados para refletir essa nova ordem social. A pesquisa relacionada ao desenvolvimento de recursos educacionais abertos é fundamental e é nessa demanda que este estudo se funda. Este artigo discute as bases, os objetivos e resultados iniciais do Laboratório de Objetos de Aprendizagem (LOA) para o desenvolvimento de jogos educacionais e objetos interativos abertos.

Arquivo em PDF:
http://br-ie.org/pub/index.php/wcbie/article/view/1892



terça-feira, 26 de junho de 2012

[ Artigo ] A cultura de convergência e o diálogo: caminhos possíveis

A educação a distância, ou EaD, sempre mediada por meio de uma interface de mediação, evidencia a potencialidade - ou a deficiência - da comunicação entre os agentes envolvidos na construção dialógica de um conhecimento. De um modo mais amplo, o processo de ensino-aprendizagem necessita, a cada dia, criar novos instrumentos, ferramentas e linguagens que se apropriem da estrutura e de todo o contexto social não só para emitir informação, mas também para se construir conhecimento a partir da participação ativa e colaborativa. Isto tudo para além da língua, ou da fala, visto que cada vez mais as tecnologias de comunicação se utilizam de novos códigos e signos para estabelecer esta coletividade.

Assim, as novas mídias de comunicação, sendo grande parte delas materializadas a partir da expansão exponencial do acesso à internet e pela chamada Web 2.0, precisam de uma atenção especial exatamente por se constituírem como espaços de colaboração e de inteligência coletiva, onde indivíduos antes incomunicáveis podem ali desenvolver a sua comunicação e tudo o que dela pode resultar. No campo educacional, os ambientes virtuais de aprendizagem se desenvolvem nesta mesma dinâmica, permitindo que diferentes agentes estejam presentes na colaboração e no aprofundamento de temas e objetos específicos.

O diálogo é, portanto, ponto fundamental da questão da comunicação em um novo contexto social, onde a convergência midiática se faz cada vez mais presente. A linguagem audiovisual e suas mais diferentes formas, como vídeos, filmes, músicas, animações, jogos eletrônicos, imagens estáticas, áudios e todas as combinações imagináveis – e até as improváveis - entre cada um destes itens tem sido incorporada, com mais dedicação, às estratégias de EaD. Se, em seus primórdios, a modalidade tinha grandes limitações no emprego de conteúdos diferentes do texto escrito e da correspondência física (ainda que o cinema, a televisão e o rádio sempre protagonizaram poucas, mas boas iniciativas neste sentido), as tecnologias digitais que surgem, sobretudo a partir do final do século XX, foram sendo absorvidas pela modalidade, tornando-se algo praticamente inerente a ela.

O pensamento contemporâneo acerca das tecnologias digitais e da convergência das mídias exige que se amplie a visão dominante em grande parte das instituições de ensino no país, onde elementos audiovisuais são vistos como complementares às principais vias de difusão do conhecimento, a se detacar primordialmente o texto escrito. Desta forma, é fundamental, visto que a expansão da EaD e a utilização do audiovisual é cada vez mais intensa, que se crie instrumentos para desenvolvimento de uma linguagem própria para esse meio. Educar a distância não é uma novidade, como dito antes. O uso do audiovisual no processo educativo também não. O que está em pauta, neste momento, é exatamente um sistema novo, que se utiliza de novos paradigmas da interatividade entre os atores que participam deste universo. As tecnologias digitais se desenvolveram de tal forma que conteúdos de múltiplas mídias se misturam enquanto um todo, seja na cultura, na educação e no entretenimento. Fazer um bom uso desse amálgama de tecnologias é o grande desafio que se coloca diante de um novo sistema de educação.

Ao se somar os conceitos abordados por Vygotsky (no que tange questões como mediação, signo e desenvolvimento das funções psíquicas superiores) e as ideias de Jenkins (e do conceito já bastante difundido de narrativa transmídia), pode-se atentar para a questão fundamental da educação e do desenvolvimento do ser humano a partir de suas experiências e relações socioculturais a partir das ferramentas, tais como o computador, o aparelho celular, a televisão e outros; como elementos baseados nos signos, como filmes, animações, músicas, textos, jogos, etc., cada qual exercendo sua influência de modo coordenado com as demais. É fundamental que os estudantes desenvolvam habilidades sociais que possam considerar o atual momento e, desta forma, criar outra instância de vínculo entre os sujeitos em formação e o conteúdo não só da escola regular, mas de sua vivência enquanto ser social. Em um momento onde se discute a imersão em conteúdos como séries de TV, histórias colaborativas e jogos de participação massiva online, é fundamental que os processos educativos não só considerem um novo perfil social, como também possam contribuir para o desenvolvimento destas novas habilidades na relação indivíduo-mundo.

Bibliografia:

BAKHTIN, M.(V. N. Volochínov). Marxismo e Filosofia da Linguagem. São Paulo : Hucitec / Petrópolis : Vozes, 1987.

EISENSTEIN, S. A forma do filme. Rio de Janeiro: Jorge Zahar. 1990a.

______. O sentido do filme. Rio de Janeiro: Jorge Zahar. 1990b.

JENKINS, H. with R. PURUSHOTMA, M. WEIGEL, K. CLINTON, A. ROBINSON (2009). Confronting the Challenges of a Participatory Culture: Media Education for the 21st Century. Cambridge: MIT Press.

______. Cultura da convergência. 2ª Ed. São Paulo: Aleph, 2009.

KELLNER, D. A Cultura da Mídia. Bauru: EDUSC, 2001.

PFROMM NETTO, S. Telas que ensinam: mídia e aprendizagem do cinema ao computador. 2 ed. Campinas, SP: Alínea, 2001.

SOARES, S. S. A Formação dos conceitos e o discurso interior em Eisenstein e Vygotsky: montagem teórica. 2001. Dissertação (Mestrado) – Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

VYGOTSKI , L. S. Obras escogidas. Tomo III. Madrid: Visor Distribuciones, S.A., 1995.

______. Pensamento e linguagem. São Paulo: Martins Fontes, 1991b 


Obs: Texto originalmente inscrito para o XVI Encontro Nacional da Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual - SOCINE

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

[ Pesquisa ] A Narrativa Transmídia e a busca de uma nova linguagem audiovisual para EaD

A educação a distância, ou EaD, tem se difundido em todo o mundo já há algum tempo. No Brasil, ainda que relativamente tarde, a tendência não poderia ser diferente. Hoje, as maiores universidades do país, tal como outras tantas em países da Europa e da América do Norte, utilizam-se da modalidade de ensino e aprendizagem baseado em interações entre educadores e educandos, cada qual em espaço e tempo diferentes, por meio de uma interface de mediação. Se há algum tempo a comunicação escrita e impressa via correspondência era soberana na EaD, hoje a grande ferramenta que cumpre esse papel é o meio digital, sobretudo a internet. Ambientes virtuais de aprendizagem são bastante comuns nos sistemas atuais, sejam eles públicos, como o já bastante estabelecido Programa Universidade Aberta do Brasil – UAB, sejam privados, como o de várias universidades particulares do país. Contudo, as grandes mudanças de paradigma não estão ocorrendo somente na mídia onde a comunicação entre os envolvidos se dá.

Há, de fato, atores e elementos novos sendo inseridos e desenvolvidos, estabelecendo uma nova linguagem de comunicação. É nesse contexto que as mídias audiovisuais se encaixam de forma bastante contundente, ainda que a evolução e o desenvolvimento estético e lingüístico de sua produção estejam em uma fase intermediária entre as primeiras experiências e o estabelecimento daquilo que a define. O conceito de videoaulas, tal como visto em programas educativos de televisão, ou mesmo de filmes didáticos, como aqueles produzidos pelo INCE de Edgar Roquette-Pinto e Humberto Mauro, estabeleceu parâmetros importantes no que tange o audiovisual com fins educativos. Entretanto, a narratividade e a linearidade destes conteúdos é um grande reflexo de como se entende a educação presencial e, deste modo, tais materiais tendem a manter um padrão sistemático em relação ao ensino em sala de aula. Muda-se a interface, mas a linguagem permanece a mesma. Todavia, em um momento onde acontece uma nova revolução tecnológica pautada pela convergência de mídias, esses elementos já não são suficientes para contemplar as novas demandas educacionais dos espaços virtuais.

Chega então o momento de dar o passo adiante na construção colaborativa desse novo conceito de audiovisual, buscando atingir a essência do que se convencionou chamar de transmidialidade. Há, assim, uma nova demanda para conteúdos não-lineares e de construção interativa; elementos que buscam uma intervenção efetiva e ativa do educando e dos demais envolvidos, tais como professores e tutores; e um universo expandido, com conteúdos presentes nos mais diversos espaços, cada qual como parte de um todo, planejado e articulado para funcionar organicamente. Isto posto, o meio digital mostra não ser uma sala de aula tradicional e, deste modo, não deve se limitar a emular um espaço similar. A proposta transmídia deve contemplar, sobretudo, as mais variadas possibilidades de relacionamento entre o educando, educadores e o conhecimento. Assim, universidades e educadores devem trabalhar com seus conteúdos por meio não só de vídeos expositivos para televisão ou mesmo computadores, mas também jogos eletrônicos, conteúdos para dispositivos móveis, animações e ambientes interativos com texto, imagem e som.

Explorar espaços diferentes abre possibilidades educativas bastante interessantes, dialogando com uma nova geração de educandos que estão em contato constantemente com as mais diversas tecnologias disponíveis em um mercado cada vez mais mutante. É, portanto, fundamental e inevitável que todos os envolvidos no processo de criação e estabelecimento das linguagens audiovisuais para educação e, mais diretamente, para educação a distância, estejam prontos para romper com os limites impostos por um formato específico e estabelecido e, desta forma, alcance o diálogo com o educando ao máximo das potencialidades que somente a convergência midiática pôde trazer.

Bibliografia

ANDERSON, C. A cauda longa: do mercado de massa para o mercado de nicho. 3 ed. Editora Campus/Elsevier. Rio de Janeiro.

ANDRADE, L. Multimídia para web. Disponível em: http://ies.ufscar.br/leoandrade. Acesso em: 28 jan. 2009.

BELDA, F, R., Um modelo estrutural de conteúdos educativos para educação digital interativa. 2009. Tese (Doutorado). Escola de Engenharia de São Carlos, Universidade de São Paulo, São Carlos, 2009.

CORDEIRO, L. Z. Elaboração de material videográfico: percursos possíveis In: CORRÊA, J. Educação a distância: orientações metodológicas, Porto Alegre; Artmed, 2007.

COSTA, C. Educação, imagem e mídias. Editora Cortez. São Paulo, 2005.

GOSCIOLA, V. Roteiro para as novas mídias: do game à TV interativa. Editora Senac. São Paulo, 2003.

JENKINS, H. Cultura da convergência. 2ª Ed. São Paulo: Aleph, 2009.

KELLNER, D. A Cultura da Mídia. Bauru: EDUSC, 2001.

LEVY, P. Cibercultura. São Paulo: Editora 34, 1994.

PFROMM NETTO, S. Telas que ensinam: mídia e aprendizagem do cinema ao computador. 2 ed. Campinas, SP: Alínea, 2001.


* Este texto foi concebido inicialmente como proposta de comunicação individual para o XV Encontro Nacional da Sociedade Brasileira de Cinema e Audiovisual - SOCINE e foi apresentado em Setembro de 2011 no evento ocorrido no Rio de janeiro.


quinta-feira, 14 de julho de 2011

Interatividade, tecnologia e a nova linguagem audiovisual educativa

O advento das novas tecnologias digitais e dos mais diferentes meios de comunicação traz à pauta novos paradigmas no diálogo entre quem, o que, e para quem são produzidos conteúdos audiovisuais de cunho didático-educativo. Deste modo, há também uma nova demanda de evolução estética e linguística destes materiais. E as características de interatividade são fundamentais nesse desenvolvimento.

Espaços diversos como a publicidade e a indústria do entretenimento têm buscado se apropriar de características possíveis dos mais diversos meios de comunicação digitais, como a telefonia móvel, a televisão, os aparelhos eletrônicos dos mais diversos e, principalmente, a internet. A busca pelo público que deixa de ser espectador passivo diante de um conteúdo e se torna ele mesmo transformador de sua própria experiência audiovisual é um grande desafio. A convergência das mídias é a consequência destas novas experiências de interatividade, nas quais cada sujeito pode participar ativamente da construção de um universo de possibilidades. Notadamente, pode-se encontrar exemplos desta intervenção direta do espectador no conteúdo audiovisual em jogos eletrônicos cada vez mais complexos e de amplas possibilidades narrativas não-lineares; construção, produção e ressignificação de vídeos, animações e outras formas de imagem e som, especificamente na internet e, potencialmente, na televisão digital; e o acesso direto não só às informações produzidas pelos grandes meios de comunicação, mas também à produção de informação, opinião e conhecimento colaborativo.

Do mesmo modo, há um cenário muito interessante para que conteúdos audiovisuais produzidos e destinados à educação possam trilhar uma execução semelhante. As tecnologias digitais estabeleceram um novo cenário onde há um grande número de pessoas conectadas com uma gama infindável de informação, bem como reestabeleceu padrões de distância entre pessoas. É necessário então explorar essas possibilidades para além dos limites tradicionalmente conhecidos. O apoio dos ambientes virtuais de aprendizagem na educação, seja ela presencial, semi-presencial ou totalmente a distância, permite a produção de conteúdos transmidiáticos baseados na interatividade, convergindo vídeos, áudios, imagens e animações que podem ser vistos e trabalhados de forma não-linear, jogos educativos, conteúdos para dispositivos móveis e todas as relações entre esses diversos elementos. Se a interatividade é a possibilidade de um sujeito em utilizar, manipular, ressignificar e reconstruir de forma ativa e direta uma experiência midiática, o conteúdo audiovisual de cunho educativo pode e deve buscar explorar esse novo universo que se abre diante a tecnologia digital. Mais do que isso, é fundamental que se pense as implicações de forma e de conteúdo para esse material.

Bibliografia:

BELDA, F, R., Um modelo estrutural de conteúdos educativos para educação digital interativa. 2009. Tese (Doutorado). Escola de Engenharia de São Carlos, Universidade de São Paulo, São Carlos, 2009.

GOSCIOLA, V. Roteiro para as novas mídias: do game à TV interativa. Editora Senac. São Paulo, 2003.


PFROMM NETTO, S. Telas que ensinam: mídia e aprendizagem do cinema ao computador. 2 ed. Campinas, SP: Alínea, 2001.

COSTA, C. Educação, imagem e mídias. Editora Cortez. São Paulo, 2005.

Texto originalmente escrito para o I Encontro Estadual da Sociedade Brasileira de Cinema e Audiovisual - SOCINE, ocorrido em maio de 2011 em São Carlos-SP.

domingo, 17 de maio de 2009

m-Learning e os novos paradigmas de uma sociedade na "Idade Mídia"

O conceito de Mobile Learning, ou simplesmente m-learning, tem tomado força nos últimos tempos de crescimento da educação a distância. Basicamente, a tradução literal do termo já explica o que caracteriza esta nova forma de se educar: é o aprendizado móvel, ou mobilidade no aprendizado. Nascido na Europa no conceito de globalização e da locomoção livre dos cidadãos do velho continente trazido pela União Européia, o m-learning se apresenta como uma grande alternativa, a médio e longo prazos, de tornar a educação mais presente na vida das pessoas, extrapolando a educação formal e escolar e atingindo todos os níveis de convivência e relacionamentos sociais e profissionais de cada um de nós.

O mundo vive hoje uma era multimidiática e de comunicação contínua, apelidada por muitas pessoas como a "Idade Mídia". As demandas para que cada indivíduo possa estar conectado com o mundo de informações cada vez mais gigante surgem a cada dia, das coisas mais simples, como ir ao supermercado, até as mais complexas, como a própria formação escolar e a atividade profissional. Não são raros os casos onde alguém precisa estar conectado 24 horas ao seu trabalho para que o faça de maneira correta, competente e eficaz. Exemplos de médicos, economistas e jornalistas que se utilizam do celular, notebook ou palmtop para obter informações importantes para eles não faltam. Já no contexto educacional, a comunicação móvel parece estar se tornando parte imprescindível de uma formação contínua, ainda que apresente limitações que são importantes de serem sanadas.

Ainda que a idéia de aprender por dispositivos móveis não seja tão nova assim - há algum tempo existem cursos de línguas, por exemplo, totalmente em fitas-cassete que podem ser ouvidas e praticadas em qualquer lugar, desde que o usuário/aprendiz tenha um walkman no bolso - o conceito está ganhando força exatamente pelas possibilidades únicas de imersão que as novas tecnologias permitem: a comunicação síncrona, contínua e em várias mídias diferentes. Diferente de apenas áudio, agora é possível receber texto, imagens e vídeos em um único aparelho celular, no momento em que são produzidos, e de qualquer parte do mundo.

Desde um simples SMS, acessível hoje a metade da população mundial, porcentagem essa que já possui um aparelho de telefone celular, até vídeos em tempo real, recurso este um pouco mais restrito a camadas mais abastadas financeiramente, os aparelhos móveis permitem uma comunicação cada vez mais completa entre indivíduos ou entre grupos inteiros. Mais do que o relógio de pulso, que há décadas estabeleceu uma nova rotina social sincronizada, o aparelho celular permite um contrato comum de comportamento e comunicação sem limites espaço-temporais. Uma revolução no sistema de comunicação global, que estabelece uma nova linguagem entre os iniciados e que parece aumentar ainda mais as desigualdades, mas que ao mesmo tempo abre possibilidades sem precedentes de levar informação e educação não-formal como nenhuma outra tecnologia.

O custo ainda elevado de aparelhos móveis - não só celulares, mas também de MP3, MP4, MP10 e MPsei-lá-até-que-número, bem como a diferença tecnológica entre todos eles, faz com que seja muito difícil a adoção de práticas educativas móveis em grande escala com certa variação de mídias. Nesse momento, somente o famoso Torpedo SMS é um padrão comum a quase todos os aparelhos celulares. Talvez em alguns anos imagens fotográficas e arquivos de áudio estejam tao difundidos como as mensagens de texto. Mas ainda assim, o que hoje são vários e vários projetos e estudos precisa de muita adequação para que não seja somente mais um instrumento de exclusão e de aumento das desigualdades. No final das contas, o m-learning parece ser uma metodologia restrita de aplicação tecnológica para educação, mas em alguns anos - e não muitos - não estaremos discutindo a viabilidade da aplicação destes recursos, mas como explorar essas possibilidades. Será um momento em que a educação móvel não será só uma idéia, mas uma necessidade social.

Referência de Leitura:

BULCÃO, Renato.
Aprendizagem por m-learning. In: LITTO, Fredric M.; FORMIGA, Marcos. Educação a distância: o estado da arte. Pearson Education: Porto Alegre, 2008. p.81-86.

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